A operação farsesca da Polícia Federal contra Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e candidato à Presidência da República, provocou novas declarações de solidariedade ao Partido. O Instituto Brasil-Palestina (Ibraspal), a Liga Bolchevique Internacionalista (LBI) e o jornalista Mauro Lopes repudiaram a ofensiva contra o dirigente.
As declarações se somam às de outras organizações e personalidades que condenaram o show realizado na terça-feira (11), quando agentes da PF cumpriram mandado de busca e apreensão na residência de Pimenta. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a investigação trata de gastos eleitorais com serviços gráficos realizados nas campanhas de 2018, 2020 e 2022.
Embora tenham posições políticas diferentes das do PCO — no caso da LBI, diferenças abertamente hostis —, os três pronunciaram-se contra o uso da Polícia Filial do Mossad contra o Partido revolucionário.
Ibraspal denuncia perseguição
Em nota, o Instituto Brasil-Palestina manifestou “profunda solidariedade” a Rui Costa Pimenta e destacou que a ação ocorre em meio à perseguição sofrida pelo dirigente por sua atuação em defesa da Palestina.
O instituto lembrou que Pimenta é um dos dirigentes políticos brasileiros que mais denunciam publicamente o genocídio na Faixa de Gaza, a ocupação dos territórios palestinos e o regime de apartheid imposto pelo sionismo.
Para o Ibraspal, esse fato não pode ser separado da operação policial. A entidade lembrou ainda que Pimenta já responde a processos e outras medidas judiciais por declarações contra o sionismo e em defesa da resistência palestina.
“É legítimo, portanto, perguntar: estamos diante de uma investigação estritamente jurídica ou de mais um capítulo de uma escalada de perseguição contra um dirigente político que se recusa a silenciar diante das injustiças cometidas contra o povo palestino?”, questionou o instituto.
O Ibraspal também chamou atenção para o momento escolhido para a ação. Pimenta acaba de lançar oficialmente sua candidatura à Presidência da República nas eleições de 2026. O lançamento nacional das candidaturas do PCO aconteceu no sábado (8), em São Paulo. Três dias depois, a Polícia Federal estava em sua residência.
“A operação ocorreu poucos dias depois do lançamento de sua candidatura, circunstância que, por si só, merece escrutínio público e democrático”, declarou a entidade.
O instituto também denunciou as tentativas de transformar a defesa da Palestina e a crítica ao sionismo em antissemitismo.
“Defender a Palestina não é crime. Denunciar crimes de guerra não é crime. Condenar o genocídio não é crime. Criticar o sionismo enquanto ideologia política não pode ser confundido, de forma automática e deliberada, com ódio aos judeus ou antissemitismo”, afirmou.
O alerta do Ibraspal ocorre depois de o próprio instituto, o PCO e outras organizações e personalidades que defendem a Palestina terem sido apresentados pelo lóbi sionista como integrantes de uma suposta rede de antissemitismo no Brasil.
Ao final da nota, a entidade declarou “solidariedade irrestrita” a Pimenta e ao PCO, repudiou a perseguição contra militantes, jornalistas, intelectuais e ativistas que defendem a causa palestina e exigiu respeito à liberdade de expressão e organização política.
“A solidariedade à Palestina não pode ser criminalizada”, afirmou.
GOI denuncia perseguição política contra o PCO
O Grupo Operário Internacionalista (GOI), responsável pelo jornal Palavra Operária, também divulgou uma nota de solidariedade ao PCO. A organização classificou a ação da Polícia Federal contra Rui Costa Pimenta como um ataque político realizado em pleno processo eleitoral.
“O GOI-Palavra Operária se solidariza com o PCO (Partido da Causa Operária) diante do ataque feito pela Polícia Federal ao presidente nacional do partido e candidato à presidência, Rui Costa Pimenta”, afirmou.
A organização destacou ainda o contraste entre a ofensiva contra o PCO e a atuação das instituições diante dos escândalos envolvendo setores poderosos da política e do sistema financeiro. Segundo a nota, enquanto “as autoridades máximas da República” procuram esconder suas relações com o caso do Banco Master, “a Polícia Federal volta suas armas contra um partido que tem sua militância dedicada à defesa do proletariado contra a burguesia e o imperialismo”.
Para o GOI, as acusações apresentadas contra o Partido não possuem base concreta e fazem parte de uma perseguição promovida no momento em que Pimenta disputa a Presidência da República.
“As acusações da PF contra o PCO não se fundamentam em nenhuma evidência ou fato, configurando uma perseguição política intencional, em meio ao processo das eleições. Merece, portanto, o repúdio de todas trabalhadoras e trabalhadores conscientes”, declarou.
A nota termina com a palavra de ordem: “pelo fim da perseguição política estatal ao PCO!”.
Mauro Lopes: ‘isso aqui é uma ação política contra o PCO’
O jornalista Mauro Lopes também se pronunciou sobre o caso durante o programa Farol Brasil. Antes de declarar sua solidariedade, Lopes fez questão de ressaltar que não possui afinidade política com o Partido.
“Vocês sabem aqui, não tenho nenhuma simpatia pelo PCO”, afirmou.
Isso, porém, não alterou sua avaliação sobre a ação policial.
“Isso aqui é uma ação política contra o PCO. E aí não tem conversa. Nós somos de esquerda, nós somos comunistas. Estamos solidários com o PCO. Estamos solidários com Rui Costa Pimenta, e não tem conversa, não tem vacilação”, declarou.
Lopes também criticou a justificativa apresentada para a investigação, relacionada aos gastos eleitorais do Partido com serviços gráficos.
“A alegação da Polícia Federal é uma ação da Justiça Eleitoral por conta de gastos indevidos nas campanhas eleitorais de 2018, 2020 e 2022. É um absurdo, é um absurdo essa situação”, disse.
Ao final, reiterou sua posição:
“Nossa solidariedade integral, completa, sem qualquer senão a Rui Costa Pimenta e aos camaradas do PCO. Isso não quer dizer que a gente não tenha divergência. Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.”
O PCO esteve entre as organizações que, desde o início, denunciaram a Lava Jato e defenderam Lula diante da perseguição judicial e policial que levou à sua prisão. Agora, Lopes defendeu que as diferenças políticas com o Partido não podem servir de justificativa para aceitar uma ação repressiva contra seus dirigentes.
LBI repudia ação da PF
A Liga Bolchevique Internacionalista também divulgou uma nota sobre o caso. A organização fez duras críticas políticas ao PCO, mas repudiou a entrada da Polícia Federal na casa de Pimenta.
O Comitê Central da LBI classificou a ação como repressiva e afirmou que suas diferenças com o PCO não eliminam a obrigação de se colocar contra uma ofensiva policial sobre uma organização da esquerda.
“Independente de nossas profundas divergências programáticas com o PCO, é tarefa primária dos marxistas-leninistas denunciar a ‘caça às bruxas’ […] contra os dirigentes da esquerda”, afirmou.
A principal diferença da LBI em relação à denúncia feita pelo PCO está na caracterização do responsável pela operação. Enquanto o Partido aponta o Estado capitalista e o imperialismo como responsáveis políticos pela perseguição, a Liga responsabiliza diretamente Lula pelo emprego da Polícia Federal.
A LBI acusa o governo da frente ampla de utilizar o aparelho repressivo do Estado contra organizações da esquerda e critica o PCO por não atribuir ao presidente da República a responsabilidade direta pela operação.
O PCO, por sua vez, evita fazer uma acusação direta ao governo Lula. A PF é um órgão cujo controle não está nas mãos do governo federal. Já foi comprovado que ela é uma polícia filial da CIA, do FBI, da DEA e do Mossad, seja por reportagens do jornalista Bob Fernandes na virada do século, seja pelas suas ligações com o aparato repressivo do Estado norte-americano durante o golpe de 2016 e a Lava Jato, ou seja, mais recentemente, pela atuação do Mossad e do FBI na perseguição da PF aos árabes, muçulmanos e ativistas pró-Palestina no Brasil.
Ainda não existem indícios que demonstrem o papel do atual governo federal na ação da PF contra o PCO. Obviamente, se eles forem encontrados isso deverá ser duramente denunciado.
Apesar dos ataques políticos feitos ao Partido em sua nota, a organização rejeitou a ação policial.
A nota termina com a palavra de ordem: “Presidente petista pelego e seu aparato repressivo, tirem as mãos das organizações do movimento de massas!”.
Além do Ibraspal, da LBI e de Mauro Lopes, o Esquerda Diário, órgão ligado ao Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT), também publicou em seu sítio uma denúncia contra a operação da Polícia Federal contra o PCO.





