O professor Adriano Pereira Cabral Junior morreu neste domingo (9), Dia dos Pais, em Piracicaba, após sofrer uma parada cardíaca. Com menos de 50 anos, o educador deixa dois filhos pequenos. Sua morte provocou revolta entre professores da rede estadual, que denunciam as condições impostas pelo governo de Tarcísio de Freitas e pelo secretário estadual da Educação, Renato Feder.
Segundo uma professora da mesma escola ouvida pelo Diário Causa Operária (DCO), Adriano não estava doente. Na semana anterior, porém, sentiu uma forte dor no peito e procurou atendimento médico. Foram realizados exames, mas naquele momento não foi identificado um problema que exigisse internação. Ele recebeu medicação e voltou para casa.
De acordo com o sindicato, o professor chegou a passar mal durante uma aula. Diante dos estudantes, verificou a própria pulsação enquanto um colega assumia a turma para que ele pudesse procurar atendimento. Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), recebeu três dias de afastamento.
Seu retorno à escola estava previsto para esta segunda-feira (10). Ele não chegou a voltar.
Na manhã de domingo, Adriano voltou a sentir fortes dores e foi novamente levado ao hospital. Segundo o relato de sua colega, os médicos constataram que três vasos do coração estavam gravemente comprometidos. Antes que pudesse chegar à sala de cirurgia, sofreu uma parada cardíaca e morreu.
Cobranças e assédio nas escolas
Adriano estava em estágio probatório, situação que aumenta ainda mais a vulnerabilidade dos docentes diante das cobranças da Secretaria da Educação.
Professores denunciam que a gestão Tarcísio-Feder transformou as escolas em ambientes de fiscalização permanente, com metas, plataformas digitais, avaliações e controle sobre a atividade docente. Para quem ainda depende da aprovação no estágio probatório, essas exigências vêm acompanhadas do risco de não permanecer no cargo.
Ao mesmo tempo, persistem os baixos salários, as jornadas extensas, as salas superlotadas e a precariedade das escolas públicas. Em vez de atacar esses problemas, o governo amplia os mecanismos de controle sobre os trabalhadores.
Na mesma semana da morte de Adriano, segundo o sindicato, outra professora da rede estadual precisou ser levada à UPA depois de sua pressão arterial chegar a 18.
Sindicato responsabiliza política de Tarcísio e Feder
O sindicato cobra a apuração das condições às quais Adriano estava submetido e denuncia a política aplicada pelo governo estadual.
Tarcísio e Feder apresentam a disseminação das plataformas digitais e das metas como uma modernização da educação. Para os trabalhadores, essas medidas significam sobretudo aumento da fiscalização e das exigências burocráticas, sem melhoria correspondente dos salários ou das condições nas escolas.





