O presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, defendeu a exoneração do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, após este afirmar que o Brasil deveria “abrir o portão” caso fosse invadido pelos Estados Unidos.
Múcio fez a declaração ao defender o aumento dos recursos destinados às Forças Armadas. Segundo o ministro, o País não teria meios para impedir um ataque norte-americano e, nessa situação, seria melhor permitir a entrada das tropas invasoras.
A frase causou incômodo no Palácio do Planalto. Lula considerou a declaração imprópria, principalmente diante do agravamento das relações com o governo de Donald Trump e da tentativa de apresentar a defesa da soberania nacional como um dos principais temas de sua campanha pela reeleição.
Nos bastidores do governo, a declaração foi tratada como uma brincadeira infeliz. Rui Costa Pimenta, que também é candidato do PCO à Presidência da República, rejeitou essa explicação. Para ele, Múcio disse exatamente o que pensa sobre a possibilidade de uma agressão imperialista contra o Brasil.
“A ‘piada’ do ministro da Defesa é, na realidade, um lapsus linguae. Ele quer dizer o que disse. Se o Brasil for invadido, seja por quem for, deve ser defendido, seja como for, seja com quais meios for.”
A função de um ministro da Defesa é preparar o País para enfrentar uma agressão estrangeira, não anunciar antecipadamente sua rendição. Ao declarar que abriria os portões para o Exército norte-americano, Múcio se apresentou como ministro da capitulação nacional.
Para Rui Costa Pimenta, a declaração também expõe um problema mais profundo nas Forças Armadas brasileiras. O alto comando militar não estaria disposto a enfrentar uma ofensiva dos Estados Unidos, mas a se curvar diante da principal potência imperialista, como já fez outras vezes.
“Este, eu acredito, é o espírito predominante nos meios militares. Não estão dispostos a fazer frente a uma eventual agressão imperialista. É uma Força Armada subserviente aos poderosos.”
A fala de Múcio contradiz diretamente a propaganda do governo sobre a defesa da independência nacional. Enquanto Lula procura se apresentar como alvo das pressões de Washington e defensor da soberania brasileira, o responsável pelo Ministério da Defesa admite que entregaria o País sem resistência.
“O governo Lula fala em soberania, seu ministro fala em vassalagem ao poder imperial”, declarou o dirigente do PCO.
Apesar do mal-estar, Lula pretende apenas conversar com Múcio. O presidente considera o episódio superável e mantém uma relação pessoal próxima com o ministro. Em ocasiões anteriores, Múcio chegou a pedir para deixar o cargo, mas foi convencido por Lula a permanecer.
A substituição do ministro estaria sendo considerada somente para um eventual novo mandato. Entre os nomes cogitados aparece o vice-presidente Geraldo Alckmin, o que significaria trocar uma marionete do imperialismo por um fantoche do imperialismo.
Aliados de Lula também propõem a nomeação de uma mulher para comandar a pasta. De fato, um empoderamento feminino, como comprovou Ursula von der Leyen à cabeça do Ministério da Defesa alemão, atual presidenta da Comissão Europeia – nada mais revelador.
Rui Costa Pimenta, por sua vez, afirmou que o governo deveria responder imediatamente à declaração de submissão feita pelo ministro:
“O governo deveria desmentir o seu ministro. O ministro deveria ser exonerado.”




