Morreu neste domingo, 2 de agosto, aos 86 anos, em Porto Alegre, o compositor, cantor e gaitista Euclides Fagundes Filho, o Bagre Fagundes. Nascido em Uruguaiana e criado em Alegrete, na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, Bagre vinha enfrentando problemas de saúde e estava internado desde maio. Sua morte encerra uma trajetória de mais de seis décadas dedicadas à expressão artística do campo e da classe trabalhadora.
Vindo de uma família profundamente ligada às tradições gaúchas, Bagre fez da gaita a marca de sua vida artística. Ao lado do irmão, o poeta e apresentador Nico Fagundes (falecido em 2015), construiu uma parceria histórica que marcou o cancioneiro nacional. Foi dessa união que nasceu o “Canto Alegretense”, obra que ultrapassou as fronteiras do estado, foi traduzida para diversos idiomas e se consagrou como um hino de exaltação ao povo e à terra.
A paixão pela música tornou-se um legado familiar. Com o grupo Os Fagundes, reunindo Bagre, Nico e a nova geração da família — Neto, Ernesto e Paulinho Fagundes —, o compositor levou a música nativista aos mais diversos palcos do Brasil e do exterior, mantendo sempre a simplicidade e a proximidade com o público.
A obra de Bagre Fagundes nunca foi uma tradição artificial ou engessada. A música que ele dedilhou na gaita e cantou nos palcos nasceu diretamente da vida do trabalhador do pampa — dos peões, dos pequenos agricultores e da gente humilde do interior. Foi justamente essa raiz popular que fez com que sua arte rompesse as barreiras regionais e se tornasse patrimônio de todo o país.
Bagre Fagundes deixa a lembrança de um artista fiel às suas origens. Sua obra permanece viva e continuará sendo cantada com orgulho em cada galpão, praça e teatro pelo Brasil.





