Os ferroviários da CPTM decidem nesta segunda-feira, 3, em assembleia, se cruzam os braços a partir da meia-noite de terça. A paralisação, por tempo indeterminado, atingiria as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, que ligam a zona leste da capital a cidades do Alto Tietê e a Guarulhos, transportando centenas de milhares de trabalhadores todos os dias.
O motivo da revolta tem nome: privatização. As três linhas foram entregues à iniciativa privada, que assumiu a operação em 21 de julho. Bastaram poucos dias para o caos: falhas em série, atrasos e até uma explosão seguida de incêndio. Diante do desastre, a Artesp suspendeu a concessionária privada por 90 dias e convocou às pressas os ferroviários da estatal para reassumir o serviço — os mesmos trabalhadores que o setor vinha desmobilizando. Agora, sem garantia de que seus empregos serão mantidos ao fim do prazo, eles cobram uma resposta do governo.
As reivindicações da categoria são justas e vão ao centro do problema: a reestatização das linhas privatizadas e a garantia de todos os empregos. Foi a entrega do serviço a uma empresa privada, atrás de lucro fácil e sem preparo para uma operação complexa, que pôs em risco a segurança dos passageiros. Quem conhece os trilhos e mantém os trens andando são os ferroviários, não os acionistas da concessionária.
A greve, se aprovada, é um ato de defesa não só dos empregos, mas do transporte de que a população trabalhadora depende. O governo de São Paulo tenta jogar os usuários contra os grevistas, mas a responsabilidade pelo transtorno é de quem privatizou. Os trabalhadores da cidade devem apoiar os ferroviários: sua luta contra a privatização é a luta de todos por um transporte público seguro e sob controle da população.





