O governo Lula anunciou um novo pacote de R$18,5 bilhões em crédito para empresas exportadoras afetadas pelas novas tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. O valor supera os recursos destinados a mais de um mês do programa Minha Casa, Minha Vida em 2025. A ajuda aos empresários faz parte do chamado Plano Brasil Soberano.
O anúncio da benesse aos capitalistas da exportação foi feito no mesmo dia em que entrou em vigor a tarifa de 25% aplicada pelos Estados Unidos. Segundo o governo federal, a medida poderia atingir cerca de US$7,4 bilhões em exportações brasileiras, principalmente nos setores de máquinas, madeira, móveis, borracha, pneus e alimentos.
Do total, R$13,5 bilhões sairão do Tesouro Nacional, enquanto outros R$5 bilhões serão disponibilizados por meio de financiamentos do BNDES.
Trabalhadores pagam juros absurdos
Os empréstimos terão juros entre 3% e 9,8% ao ano, com prazo de até 20 anos. Para efeito de comparação, segundo dados do Banco Central, a taxa média de juros dos empréstimos para pessoas físicas é de cerca de 63% ao ano. Modalidades amplamente utilizadas pela população, como o cartão de crédito rotativo, podem superar 300% ao ano. Mesmo o crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada costuma apresentar taxas superiores ao piso de 3% oferecido aos capitalistas da exportação.
Minha Casa, Minha Vida
O valor destinado pelo governo aos empresários supera o reforço de R$ 18,13 bilhões destinado ao Minha Casa, Minha Vida no orçamento de 2025 e se aproxima dos R$ 20 bilhões anunciados para 2026.
Enquanto o crédito às exportadoras será financiado pelo Tesouro Nacional e pelo BNDES, os aportes ao Minha Casa, Minha Vida foram feitos com recursos do Fundo Social, abastecido pelas receitas da exploração do petróleo e destinado ao financiamento de políticas públicas de habitação, educação, saúde e outras áreas de interesse social.
Nas etapas anteriores do Plano Brasil Soberano, os latifundiários e o agronegócio, um dos pilares da dominação imperialista sobre o Brasil, concentraram R$ 7,7 bilhões em financiamentos do BNDES, cerca de 40% de todo o dinheiro liberado pelo banco no âmbito do programa.
Para socorrer os capitalistas, o governo encontra rapidamente bilhões de reais. Para os trabalhadores, sobram as promessas e faltam os recursos.


