Os motoboys e entregadores por aplicativo pararam nesta sexta-feira (31) em Natal, num protesto que se espalhou por outras capitais do país. Na capital potiguar, a manifestação saiu da zona Norte, na Área de Lazer do Panatis, e desceu em carreata até o Midway Mall, na zona Sul, onde a categoria fez um ato público. Reivindicavam condições dignas de trabalho, valorização da profissão e o fim das taxas abusivas cobradas pelos aplicativos.
A revolta se explica pelas contas que não fecham. Há mais de três anos os aplicativos não reajustam o valor pago por entrega, enquanto sobem a gasolina, a comida e a manutenção da moto. iFood e Uber ainda apertam o cerco: a Uber criou o “passe”, uma espécie de assinatura que o próprio trabalhador paga à empresa, e o iFood empurra modalidades como o “mais entregas”, que rebaixam o pagamento mínimo por corrida. Por isso a categoria cobra, em várias cidades, um valor mínimo por quilômetro rodado e o fim desses esquemas que espremem os ganhos.
Por trás do discurso da “autonomia” e do “empreendedorismo” está a superexploração dos entregadores. Os aplicativos ficam com uma fatia de cada corrida, ditam preços e regras por um programa de celular e jogam sobre o trabalhador todos os custos e todos os riscos: a moto, o combustível, os acidentes, as longas horas na rua, longe da família. Sem carteira assinada, sem piso e sem direitos, o entregador é tratado como mão de obra sem valor num negócio que só pensa no lucro.
Em Natal, a manifestação ainda foi vigiada de perto pela Polícia Militar — a mesma que espanca e mata nas periferias e agora é escalada para vigiar quem luta por direitos. Mesmo assim, a categoria mostrou força ao parar e ocupar as ruas em todo o país.
Os entregadores têm toda a razão. Sua luta por taxas justas, por um mínimo que cubra o custo e o trabalho, por direitos trabalhistas e pela liberdade de se organizar sem tutela das empresas merece o apoio de todos os trabalhadores. Diante dos mesmos patrões e do mesmo sistema, a união dos trabalhadores é a sua maior arma.





