Nesta quinta-feira (30), a antiga sede dos Correios, na Rua Primeiro de Março, no centro do Rio de Janeiro, será levada a leilão. O imóvel, um dos edifícios históricos da região da Praça 15, será ofertado com valor inicial de R$ 53,6 milhões.
O prédio está inserido no conjunto arquitetônico da Praça 15, tombado ao nível federal, e fica próximo de marcos como o Paço Imperial, a Igreja da Candelária, o CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) e o Centro Cultural França-Brasil. O prédio possui 9.060 m² de área construída em um terreno de aproximadamente 1.585 m², ocupando um quarteirão inteiro no Centro do Rio de Janeiro.
O jornal Agência Brasil conversou com Isabel Rocha, presidente em exercício do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ). Segundo a presidente, o tombamento protege as características do edifício, mas não impede a transferência de propriedade.
“O que um tombamento garante no caso de leilão de prédio público? Primeiro, é preciso esclarecer que o instrumento do tombamento não retira a propriedade. A propriedade continua sendo de pleno direito e gozo de quem a detém”, afirmou Isabel à Agência Brasil.
Construído em 1878, durante o reinado de Dom Pedro II, o prédio foi o primeiro grande edifício brasileiro projetado especificamente para concentrar os serviços postais. Ao longo de quase 150 anos, permaneceu associado à imagem dos Correios.
Procurado pela Agência Brasil, o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) informou que não interfere na transferência da propriedade ou da posse de bens tombados.
“O Iphan informa que não se manifesta em casos de transferência de propriedade ou posse de bens tombados, uma vez que não tem competência para atuar nessa temática. Para a autarquia, é indiferente quem seja o proprietário do bem”, informou o instituto.
O processo de sucateamento, privatizações, demissões de funcionários e fechamentos de agências dessa empresa estatal de grande importância para o País vem ocorrendo desde os anos 1990 de forma acentuada durante os governos de Fernando Henrique Cardoso.
No entanto, sob os governos do Partido dos Trabalhadores, essa política de sucateamento da empresa seguiu na mesma toada. Segundo Ricardo Adriani Negopeixe, secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de São Paulo (Sintect-SP), para o jornal Brasil de Fato, o último concurso público feito pela empresa aconteceu em 2011.
“Esses trabalhadores envelheceram, continua o mesmo quadro funcional. Não tem condições de trabalho para concluir a jornada”, aponta Negopeixe. Segundo ele, a retirada de 50 cláusulas do acordo coletivo durante o governo Bolsonaro também ampliou a pressão sobre a categoria.
A chegada do novo presidente dos Correios, Emmanoel Schmidt Rondon, que assumiu o cargo em setembro de 2025, também acendeu um novo alerta. “Vai ter demissão de 10 mil trabalhadores mediante um PDV [Plano de Demissão Voluntária] ou PDI [Plano de Demissão Incentivada]”, disse, afirmando que a incerteza tem adoecido funcionários. “Isso traz traumas, doenças não só psíquicas, mas físicas”, relatou.
Apesar de o presidente Lula ter assinado um decreto em abril de 2023 que retirou oficialmente os Correios do Programa Nacional de Desestatização (PND), o que estamos assistindo é justamente o contrário.
Neste caso, por exemplo, Lula está traindo promessas de campanha e expectativas de sua base social, que eram de reversão das privatizações e fortalecimento da propriedade estatal. No entanto, essa medida desastrosa faz parte da política econômica do atual governo, uma política que serve à burguesia e não ao povo.





