A Quaest excluiu todos os pré-candidatos do Partido da Causa Operária (PCO) de sua nova rodada de pesquisas eleitorais. O instituto ouviu eleitores sobre a disputa pela Presidência da República e pelos governos de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Pernambuco, Bahia e Pará, mas não apresentou aos entrevistados nenhum nome do PCO.
Apenas no Pará o partido não tem pré-candidato ao governo. Nos outros seis estados pesquisados, além da eleição presidencial, o PCO participa da disputa. Mesmo assim, foi o único partido eliminado de todos os cenários divulgados pela empresa.
Os pré-candidatos do PCO são: Rui Costa Pimenta (Presidência), Izadora Dias (governo de São Paulo), Luan Monteiro (governo do Rio de Janeiro), Adriano Teixeira (governo do Paraná), Henrique Áreas (governo de Minas Gerais), Victor Assis (governo de Pernambuco) e Bona Carrara (governo da Bahia).
A exclusão interfere diretamente no resultado. Em uma pesquisa estimulada, o entrevistador apresenta ao eleitor uma lista de candidatos. Quando um instituto retira um nome dessa lista, impede que o eleitor manifeste sua intenção de votar nele e produz um resultado previamente limitado pelas escolhas da própria empresa.
Pesquisa apaga candidatura de Rui Costa Pimenta
Rui Costa Pimenta tem sido recorrentemente candidato à Presidência da República pelo PCO desde as eleições de 2002. Militante revolucionário desde finais da década de 1970, fundador do PT e do PCO, Pimenta também apresenta uma série de programas e cursos disponibilizados na Internet há quase 20 anos.
Além disso, o presidente do PCO é convidado semanal em programas de grande alcance no Youtube, como os do Brasil 247, há cerca de dez anos. Sua obra está distribuída fartamente nas principais plataformas e redes sociais, onde ele tem dezenas de milhares de seguidores.
Dentre os pré-candidatos dos partidos à esquerda do PT, Rui Costa Pimenta é o mais conhecido do povo brasileiro. A Quaest simplesmente eliminou seu nome quando seus entrevistadores consultaram a opinião do público.
Em São Paulo, a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (29) afirmou que Tarcísio de Freitas (Republicanos) seria reeleito no primeiro turno caso a eleição fosse realizada hoje.
O governador aparece com 41% das intenções de voto. Os demais candidatos incluídos pela Quaest somam 31%. Com base nessa comparação, o instituto concluiu que Tarcísio teria mais votos do que todos os adversários reunidos.
A conta, porém, exclui Izadora Dias, candidata do PCO ao governo paulista. A Quaest não perguntou aos entrevistados se votariam nela. A empresa retirou uma candidata da disputa antes de somar os votos dos adversários de Tarcísio.
Foram entrevistados 1.650 eleitores entre os dias 23 e 27 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança informado é de 95%.
Nenhum desses dados corrige o fato de que o cenário apresentado aos eleitores estava incompleto.
PCO é excluído de toda a rodada
O mesmo procedimento foi adotado nas pesquisas para presidente e para os governos do Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Pernambuco e Bahia. Em todas essas disputas, o PCO tem candidato, mas o instituto não incluiu seus nomes nos questionários.
Não se trata, portanto, de um caso isolado envolvendo a eleição paulista. A Quaest apagou sistematicamente o partido de toda a rodada de pesquisas, com exceção do Pará, onde o PCO não apresenta candidatura.
Izadora Dias denunciou a manobra em sua conta oficial no X.
“Quaest e outras empresas de pesquisas simplesmente não inclui os candidatos do PCO em nenhuma pesquisa. Por que tanta preocupação em esconder o partido?”, publicou.
A pergunta é pertinente. Caso a candidatura do PCO fosse considerada irrelevante, não haveria motivo para retirá-la deliberadamente dos levantamentos. A exclusão mostra justamente o contrário: existe uma preocupação política em impedir que o partido apareça diante do eleitorado.
Institutos escolhem quem pode aparecer
Os institutos de pesquisa não se limitam a registrar a opinião pública. Ao escolher quais candidatos serão apresentados, ajudam a determinar quem terá espaço na cobertura eleitoral.
Os nomes incluídos aparecem nas manchetes, nos programas de televisão e nas análises sobre a eleição. Os excluídos são tratados como inexistentes. Depois, a própria ausência nas pesquisas é utilizada para justificar a falta de cobertura, de entrevistas e de participação nos debates.
A pesquisa passa, assim, a ser utilizada para fabricar o quadro eleitoral que afirma apenas medir.
Essas empresas pertencem a grandes grupos capitalistas ou dependem deles para financiar e divulgar seus levantamentos. Suas escolhas não são feitas fora da luta política. Os cenários, as perguntas e os nomes apresentados aos entrevistados podem ser organizados para favorecer algumas candidaturas e prejudicar outras.
Nas eleições anteriores, os grandes institutos já foram duramente criticados por pesquisas utilizadas para impulsionar candidatos, apresentar disputas artificiais e orientar o chamado voto útil. A eliminação completa do PCO da rodada da Quaest oferece mais uma demonstração de como esse mecanismo funciona.
O escândalo não está apenas no percentual atribuído a cada candidato. Está na decisão anterior de retirar um partido inteiro das opções oferecidas aos eleitores.
Outro lado
O Diário Causa Operária procurou insistentemente a Quaest por telefone e por correio eletrônico para saber por que os candidatos do PCO foram excluídos dos levantamentos. A empresa não respondeu até a publicação desta matéria.





