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Plantão Irã: Irã amplia ataques contra bases dos EUA

Forças iranianas atingiram instalações militares e eletrônicas norte-americanas enquanto os Estados Unidos realizaram a 13ª noite consecutiva de bombardeios

O Irã realizou novos ataques contra bases, depósitos de munição e instalações eletrônicas dos Estados Unidos no Oriente Próximo. As operações foram o principal assunto da edição desta sexta-feira (24) do Plantão Irã, programa diário do Diário Causa Operária (DCO) e da Causa Operária TV (COTV).

A edição foi apresentada por Victor Assis, com a participação de Pedro Burlamaqui. Os comentaristas analisaram a continuidade da resposta militar iraniana, a recusa de uma proposta de cessar-fogo transmitida pelo governo iraquiano e os efeitos da guerra sobre os aliados árabes dos Estados Unidos. A situação na Cisjordânia ocupada também foi abordada.

Irã destrói instalações norte-americanas

O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) anunciou a destruição do restante de um centro de processamento de dados da Amazon utilizado pelo aparelho de inteligência dos Estados Unidos.

O ataque integrou a 17ª onda da Operação Nasr 2. A empresa norte-americana mantém contratos com o governo e fornece serviços empregados pelos sistemas automatizados das Forças Armadas dos Estados Unidos.

As forças iranianas também atingiram um grande depósito de munições na Base Aérea Ali Al-Salem, no Cuaite. Outra operação destruiu uma unidade norte-americana de guerra eletrônica.

Imagens de satélite divulgadas pela agência iraniana Tasnim mostraram os danos provocados pelos bombardeios. Segundo o CGRI, dezenas de soldados norte-americanos morreram nos últimos dias. Desde o início da guerra, o número de baixas chega a centenas.

O governo dos Estados Unidos esconde a extensão das perdas sofridas por suas tropas. De acordo com a denúncia iraniana, aviões-ambulância retiram diariamente soldados feridos das bases regionais e os transportam para um hospital militar norte-americano na Alemanha.

O CGRI também advertiu o Reino Unido pelo uso da Base Aérea de Fairford. Um bombardeiro B-1 partiu da instalação britânica para participar dos ataques contra o território iraniano.

EUA atacam 16 localidades iranianas

Enquanto o Irã atingia a infraestrutura militar norte-americana, os Estados Unidos realizaram a 13ª noite consecutiva de bombardeios contra o país.

Foram atacadas 16 cidades e localidades, entre elas Bandar Abbas, porto de Jasque, porto de Konarak, Ahvaz, Omidiyeh, Andimeshk, Korramabad, Anarak, Na’in, Borujerd, Taft, Xir Kuh, Firuzabad, Khondab e a ilha de Quêixome.

O comando norte-americano declarou que os alvos eram instalações militares. Moradores e órgãos de imprensa iranianos, no entanto, denunciaram ataques contra áreas civis, com mortos e feridos.

A ofensiva faz parte da guerra iniciada em 28 de fevereiro. Desde então, o Irã atacou bases norte-americanas instaladas no Cuaite, Barém, Catar, Jordânia e em outros países utilizados como plataformas para a agressão imperialista.

Segundo Victor Assis, a destruição dessas instalações não protege apenas o Irã. As bases permitem que aviões, sistemas eletrônicos e equipamentos dos Estados Unidos atuem contra todos os povos da região.

Cessar-fogo sem fim da agressão

O programa também comentou a informação de que o Irã recusou uma nova proposta norte-americana de cessar-fogo, transmitida pelo primeiro-ministro do Iraque.

Para Assis, não há sinal de que os Estados Unidos ou o Estado sionista pretendam encerrar a guerra. A proposta procura diminuir o ritmo das operações iranianas sem garantir o fim dos bombardeios contra o país.

“Não faz sentido parar uma guerra se o outro lado continua agredindo. Isso apenas fortalece o adversário. A melhor maneira de o Irã impedir que mais iranianos morram não foi possuir um sistema de defesa perfeito, porque isso é impossível, ainda mais para um país pobre. O Irã salvou uma quantidade imensa de vidas quando destruiu a infraestrutura norte-americana regional, retaliou e contra-atacou.”

A reação iraniana aumentou os custos da ofensiva e obrigou o imperialismo a calcular as consequências de cada novo ataque. Sem essa resposta, as tropas norte-americanas poderiam bombardear o país sem sofrer perdas importantes.

Assis considerou correta a decisão de manter as operações enquanto a agressão prosseguir.

“Se o imperialismo não quer paz, a única coisa que resta é preparar uma resposta tão contundente quanto possível. Quando o inimigo quer a guerra, é preciso estar mais determinado do que ele. É o que resta ao Irã.”

O comentarista também chamou atenção para o papel do primeiro-ministro iraquiano. O governo dos Estados Unidos pressiona o Iraque a desarmar as organizações da resistência e procura usar o mesmo governo para convencer o Irã a interromper seus ataques.

Guerra afunda aliados dos EUA em dívidas

A guerra também está impondo uma conta elevada aos governos árabes aliados dos Estados Unidos. Segundo levantamento da agência norte-americana Bloomberg, Arábia Saudita, Cuaite, Emirados Árabes Unidos e Catar tomaram US$112 bilhões emprestados apenas neste ano.

O dinheiro financia portos, oleodutos e outras obras destinadas a reduzir a dependência do Estreito de Ormuz. O Irã fechou a passagem em resposta aos ataques norte-americanos.

Representantes dos Emirados Árabes Unidos afirmam que as novas estruturas permitem reduzir a importância de Ormuz. Os empréstimos mostram, porém, que os governos árabes estão sacrificando suas economias para sustentar uma guerra que atende aos interesses dos Estados Unidos.

Assis comparou a situação com a da Ucrânia, endividada para comprar armamentos norte-americanos e manter uma guerra dirigida pelo imperialismo.

“Há uma série de países que estão sendo arrastados para essa guerra, não para defender seus próprios interesses, mas para defender os interesses dos Estados Unidos. Entrar numa guerra contra o Irã é praticamente fatal para o regime saudita, que não é popular e já é uma ditadura bastante odiada pela população.”

Uma crise mais profunda na Arábia Saudita atinge diretamente Catar, Cuaite, Emirados Árabes Unidos e Omã. Esses regimes dependem da proteção militar norte-americana e da estabilidade da monarquia saudita.

EUA oferecem programa nuclear aos sauditas

A edição também tratou do acordo nuclear anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com a Arábia Saudita. O plano estabelece 30 anos de cooperação e permite à monarquia receber reatores e tecnologia nuclear norte-americana.

Trump condicionou o acordo à normalização das relações entre a Arábia Saudita e “Israel”. Para receber a tecnologia, a monarquia precisa aderir aos Acordos de Abraão.

A proposta foi anunciada enquanto os Estados Unidos atacam o Irã sob a acusação de que o país pretende fabricar uma bomba atômica. Ao mesmo tempo, o governo norte-americano oferece tecnologia nuclear a um de seus principais aliados regionais.

Para Assis, a medida expressa a dificuldade do imperialismo em arrastar os sauditas para uma guerra aberta contra o Irã. A monarquia evitou participar diretamente do conflito e, antes do 7 de Outubro, vinha restabelecendo relações com o governo iraniano.

“Tudo o que o imperialismo tem é a Arábia Saudita. O Estado de ‘Israel’ está numa crise total e possui uma população artificial, que pode se dissolver a qualquer momento. Os outros aliados são muito fracos. Sobra a Arábia Saudita, mas essa mesma Arábia Saudita está com medo do Irã, porque não entrou na guerra e vinha se aproximando do país antes do 7 de Outubro.”

A oferta de tecnologia nuclear procura dar à monarquia um instrumento de dissuasão e empurrá-la para uma política mais agressiva contra o Irã e o Eixo da Resistência.

A medida também dá ao governo iraniano novos motivos para aumentar sua capacidade militar e aprofundar a cooperação com China, Rússia e Coreia do Norte.

Revolta cresce na Cisjordânia

Na parte inicial do programa, os comentaristas trataram do assassinato de quatro palestinos por colonos sionistas e soldados israelenses na cidade de Tel, na Cisjordânia ocupada.

As mortes provocaram confrontos entre jovens palestinos, colonos e tropas da ocupação. Dois soldados israelenses foram eliminados durante a reação.

O Estado sionista impôs um toque de recolher e anunciou novas operações repressivas. Israel Katz, ministro da Guerra de “Israel”, respondeu aos confrontos com a ampliação dos assentamentos na Cisjordânia.

As Brigadas Al-Qassam, braço armado do Hamas, saudaram as ações da juventude palestina. Abu Obeida, porta-voz da organização, destacou os confrontos em Nablus, Jenin e al-Quds ocupada.

Victor Assis afirmou que o crescimento da revolta também aparece na crise da Autoridade Palestina e na disputa interna do Fatah. Marwan Barghouti, dirigente preso pelo Estado sionista e uma das principais figuras da Segunda Intifada, foi o candidato mais votado para o Comitê Central do partido.

“O partido que dirige o aparato burocrático repressivo da Cisjordânia está sendo cada vez mais dominado por uma ala esquerda, ligada à resistência armada. Podemos assistir ao desmoronamento da Autoridade Palestina, o que abriria uma situação revolucionária, porque a consciência de que é preciso se livrar da ocupação israelense já existe de maneira bastante expressiva.”

O enfraquecimento da Autoridade Palestina pode eliminar uma das principais barreiras à luta direta contra a ocupação e abrir caminho para uma nova Intifada.

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