O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) anunciou, nesta sexta-feira (24), a destruição da estrutura remanescente de um centro de dados da Amazon que era utilizado para fornecer informações ao exército norte-americano.
O ataque ocorreu durante a 27ª onda da Operação Nasr 2. A instalação já havia sido atingida em uma ofensiva anterior, mas parte do edifício permanecia de pé.
“Os combatentes do Islã, na 27ª onda da Operação Nasr 2, concluindo a operação anterior contra o centro de inteligência de dados da empresa norte-americana Amazon, que desempenha um papel central no fornecimento de informações ao exército assassino de crianças dos Estados Unidos, atingiram e destruíram o edifício restante”, declarou o CGRI.
O comunicado apresenta o centro da Amazon como parte da infraestrutura de inteligência empregada pelas forças armadas norte-americanas. A operação expõe a participação direta dos grandes monopólios tecnológicos dos Estados Unidos no aparato de guerra do país.
O CGRI informou que os ataques contra as instalações militares norte-americanas na região continuarão.
Depósito de munições destruído no Cuaite
Na mesma onda da Operação Nasr 2, drones pesados iranianos atingiram a Base Aérea de Ali Al-Salem, no Cuaite.
De acordo com a Guarda Revolucionária Iraniana, um grande depósito de munições foi destruído após uma sequência de explosões.
“Um depósito de munições de grandes proporções na base norte-americana de Ali Al-Salem foi atingido e completamente destruído por explosões sucessivas”, afirmou o órgão.
A ofensiva também atingiu alojamentos utilizados pelos militares. Seis grandes edifícios foram destruídos e outros três sofreram danos consideráveis. O CGRI informou que soldados norte-americanos morreram ou ficaram feridos, mas não apresentou um balanço preciso das baixas.
Ali Al-Salem já havia sido atacada em outras etapas da operação iraniana. A base abriga aeronaves, depósitos, hangares e sistemas utilizados pelas forças armadas dos Estados Unidos em suas operações no Oriente Próximo.
CGRI denuncia ocultação das baixas
O CGRI acusou o governo norte-americano de esconder o número de militares mortos durante os cinco meses de guerra. Segundo o comunicado, os Estados Unidos sofreram centenas de mortes e um número ainda maior de feridos.
Washington reconhece oficialmente menos de 20 soldados mortos. Para a Guarda Revolucionária Iraniana, os dados divulgados pelo governo de Donald Trump não correspondem às perdas sofridas no campo de batalha.
“O exército dos Estados Unidos, que sofreu centenas de mortos e um número muito maior de feridos durante os últimos cinco meses de guerra, mente para seu próprio povo ao alegar que teve menos de 20 mortes”, afirmou o CGRI.
O órgão citou como indício das perdas a retirada diária de feridos em aeronaves de evacuação médica. Os militares estariam sendo transportados para um hospital norte-americano na Alemanha.
A Guarda Revolucionária cobrou da imprensa dos Estados Unidos uma investigação sobre as baixas, os prejuízos materiais e os custos financeiros da guerra. Segundo o comunicado, o governo norte-americano mantém sob censura a destruição de bases, aeronaves, depósitos e outros equipamentos atingidos pelas forças iranianas.
EUA atacam 16 cidades
A resposta iraniana ocorreu depois da 13ª noite consecutiva de ataques norte-americanos contra o país. O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) confirmou uma nova ofensiva iniciada às 18h45, no horário da costa leste norte-americana.
Explosões foram registradas em Bandar Abbas, Jask, Konarak, Ahvaz, Omidiyeh, Andimeshk, Khorramabad, Anarak, Nain, Borujerd, Taft, Shirkuh, Firuzabad, nas proximidades de Khondab, na província de Markazi, e na ilha de Quêixome. Segundo a emissora libanesa Al Mayadeen, 16 cidades foram atacadas.
Em Bandar Abbas, civis ficaram feridos e partes da região portuária sofreram interrupções no fornecimento de energia. As autoridades locais afirmaram que o serviço seria restabelecido.
Na província do Cuzistão, quatro pessoas morreram e cinco ficaram feridas em ataques nas proximidades de Ahvaz. As defesas antiaéreas também foram acionadas em Teerã.
O CGRI anunciou ainda ter interceptado um míssil de cruzeiro Tomahawk sobre Kahnuj, na província de Kerman. Segundo o comandante local da Guarda Revolucionária, o projétil foi detectado e destruído enquanto atravessava o espaço aéreo da cidade.
Militares ocupam prédios civis
A Guarda Revolucionária Iraniana emitiu também uma advertência à população dos países que abrigam tropas dos Estados Unidos. O órgão recomendou que os moradores mantenham uma distância mínima de 500 metros de prédios utilizados secretamente como alojamentos ou centros de comando norte-americanos.
Segundo o CGRI, militares dos Estados Unidos abandonaram parte das bases e passaram a ocupar edifícios civis nas cidades, na tentativa de se proteger dos ataques iranianos.
“Advertimos urgentemente a população dos países que hospedam tropas norte-americanas para que se mantenha a uma distância de 500 metros de qualquer local secreto de alojamento de militares dos Estados Unidos, a fim de permanecer em segurança”, declarou.
O comunicado afirmou que o Irã havia aceitado um cessar-fogo e a abertura de negociações depois dos primeiros 40 dias de combate. Os Estados Unidos, porém, teriam violado o entendimento desde os primeiros dias e retomado oficialmente a guerra em 12 de julho.
De acordo com o CGRI, após 13 dias da nova ofensiva, os Estados Unidos não conseguiram romper as defesas iranianas e ampliaram os ataques contra pontes, portos pesqueiros, embarcações, veículos e ferrovias.
O órgão também responsabilizou as forças norte-americanas pelo assassinato de peregrinos de Arbaim na fronteira com o Iraque e reiterou que instalações militares, depósitos, centros de comando e alojamentos utilizados pelas tropas dos Estados Unidos continuarão sendo considerados alvos.



