Palestina ocupada

Cisjordânia: juventude reage a intensificação de ataques sionistas

Colonos e soldados atacaram a cidade de Tal e assassinaram quatro palestinos; durante a invasão, jovem tomou uma arma e abriu fogo contra os agressores

Um jovem palestino tomou uma arma de um dos sionistas que atacavam a cidade de Tal, a sudoeste de Nablus, e abriu fogo contra os invasores nesta sexta-feira (24). A reação ocorreu durante uma agressão de colonos armados e soldados israelenses que deixou quatro palestinos mortos e outros quatro feridos.

Órgãos de imprensa israelenses divulgaram versões diferentes sobre as baixas entre os ocupantes. As primeiras notícias apontaram a morte de um colono e ferimentos em outros três, entre eles um oficial do exército e um responsável pela segurança da colônia de Havat Guilad. Mais tarde, o exército israelense informou que dois soldados morreram durante uma operação nas proximidades de Tal.

Os próprios relatos israelenses também divergiram sobre a origem da arma usada pelo jovem palestino. Algumas fontes afirmaram que ela pertencia a um colono; outras, a um agente de segurança que acompanhava a invasão.

Colonos atacam casas e abrem fogo

A agressão começou quando um grupo de 25 a 30 colonos avançou sobre a parte oriental de Tal e tentou entrar em duas casas. Os moradores saíram para impedir a invasão e foram recebidos a tiros.

Essam Saifi, dirigente local do Fatah, afirmou que os colonos retornaram cerca de meia hora depois e atacaram a parte ocidental da cidade. Um deles golpeou uma criança com uma arma. Soldados israelenses chegaram em seguida e passaram a disparar ao lado dos invasores.

Foi durante esse segundo ataque que o jovem palestino conseguiu tomar uma arma e atirar contra o grupo. O exército matou quatro palestinos no local, entre eles o autor dos disparos.

O Ministério da Saúde palestino confirmou ainda quatro feridos, três deles em estado grave. O Crescente Vermelho Palestino atendeu um homem de 41 anos baleado no abdômen e na coxa. A vítima precisou receber manobras de reanimação cardiopulmonar.

Após os confrontos, as forças israelenses cercaram Tal e Nablus, fecharam estradas e instalaram novos postos de controle. O bloqueio dificultou o acesso das ambulâncias à cidade e o transporte dos feridos.

Casas incendiadas

Tal é alvo frequente dos colonos instalados nas terras palestinas. Durante o ataque desta sexta-feira, um grupo cercou uma residência e lançou objetos incendiários em seu interior.

O fogo destruiu completamente a casa e se espalhou pelos terrenos próximos. Os moradores levaram várias horas para conter as chamas, que consumiram parte da vegetação ao redor.

A agência palestina Wafa informou que colonos atacaram cinco localidades da região de Nablus no mesmo dia. As agressões incluíram invasões de casas, espancamentos, tiros contra moradores e destruição de propriedades.

Nablus está entre as regiões mais atacadas da Cisjordânia. Os colonos agem sob proteção dos soldados israelenses, que intervêm contra os palestinos quando estes procuram defender suas casas e terras.

As colônias sionistas na Cisjordânia violam o direito internacional. Até os postos avançados erguidos sem autorização formal do governo israelense acabam recebendo proteção militar, estradas e serviços públicos antes de serem legalizados.

‘Al-Aqsa tem defensores’

O porta-voz militar das Brigadas al-Qassam, Abu Obeida, saudou os moradores de Tal e a juventude palestina que enfrenta as forças de ocupação e os colonos. Ele destacou as ações realizadas em Nablus, Jenin e al-Quds.

Abu Obeida chamou a Cisjordânia de terra de Yahya Ayyash, dirigente e engenheiro das Brigadas al-Qassam assassinado pelo regime sionista em 1996. Ayyash foi perseguido durante mais de cinco anos e teve papel destacado no desenvolvimento das operações da Resistência palestina.

O porta-voz relacionou a reação em Tal às sucessivas invasões da Mesquita de al-Aqsa:

“Que esse inimigo criminoso saiba que al-Aqsa tem defensores que a protegerão, que o povo palestino não aceitará humilhação nem injustiça e que o coração de nossa juventude arde ao presenciar a profanação de al-Aqsa, a judaização da Cisjordânia, a demolição de casas e a usurpação das terras, enquanto Gaza é massacrada. A intensificação de sua agressão não lhe trará senão desgraças.”

Mais de 3.200 colonos invadiram a Mesquita de al-Aqsa na quinta-feira (23), protegidos pelas forças israelenses. A provocação foi organizada por grupos sionistas durante o chamado “aniversário da destruição do templo”.

Abu Obeida convocou a população, os clãs palestinos e os integrantes das forças de segurança a defenderem os locais sagrados e as terras ameaçadas pela ocupação.

“Que todos saibam que a verdadeira luta de nosso povo contra a ocupação está na Cisjordânia ocupada. Estamos certos de que ela será a chave para alcançar a vitória total sobre esse ocupante nazista”, declarou.

Netaniahu anuncia mais repressão e colônias

Depois da reação palestina, Benjamin Netaniahu ordenou novas operações militares na Cisjordânia. O exército anunciou um toque de recolher, cercou Nablus e preparou uma campanha de prisões nas cidades da região.

Netaniahu determinou a demolição da casa do jovem acusado de realizar os disparos, o confisco de armas e a revogação de autorizações de trabalho concedidas a palestinos. Também ordenou o envio de mais soldados e a instalação de novos postos de controle.

O primeiro-ministro anunciou ainda que acelerará a legalização dos postos agrícolas e a instalação de novas colônias. Esses postos são usados para ocupar terras palestinas e iniciar núcleos que posteriormente recebem reconhecimento oficial do governo sionista.

O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, exigiu que o exército agisse com “punho de ferro” contra Tal e as cidades vizinhas. Ele chamou os colonos de “muralha defensiva” de “Israel” e prometeu ampliar o auxílio estatal aos invasores.

Desde o início do ano, 87 palestinos foram mortos por israelenses na Cisjordânia, de acordo com o Ministério da Saúde palestino. Desse total, 21 foram assassinados diretamente por colonos. Dados das Nações Unidas apontam ainda cerca de 850 palestinos feridos em ataques de colonos no mesmo período.

O Ministério das Relações Exteriores palestino denunciou o massacre como uma nova manifestação da Nakba e acusou o governo, o exército e os grupos de colonos de atuarem conjuntamente contra a população palestina.

As forças israelenses mantiveram os acessos a Tal fechados após os assassinatos. Ainda nesta sexta-feira, moradores da cidade acompanharam os funerais dos quatro palestinos mortos durante a invasão.

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