A edição da Análise Internacional transmitida nesta quinta-feira (23) pelo Diário Causa Operária, em parceria com o canal Arte da Guerra, discutiu a mudança da situação militar no Oriente Médio após a resposta iraniana aos Estados Unidos, a crise dos regimes europeus e o agravamento das provocações imperialistas contra Rússia e China. Participaram do programa Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), e o comandante Robinson Farinazzo.
Ao tratar da guerra contra o Irã, Pimenta afirmou que o governo de Donald Trump permanece preso ao conflito por causa da pressão do sionismo e da impossibilidade de apresentar uma saída que não represente uma derrota política interna.
“Existe uma pressão muito grande do *lobby* sionista dentro do governo Trump. Segundo, Trump não conseguiu uma solução política que fosse aceitável para que ele pudesse se retirar da guerra sem um prejuízo político interno muito grande”, explicou.
Para o dirigente do PCO, o Irã alterou a correlação de forças na região. “O Irã impôs um novo *status quo* político e militar na região. Não tem dúvida nenhuma”, afirmou. Pimenta destacou, no entanto, que o efeito mais importante da guerra pode ser a desestabilização das monarquias árabes aliadas dos Estados Unidos.
Ele citou a informação divulgada pela Guarda Revolucionária Iraniana de que militares jordanianos forneceram dados para ataques contra instalações norte-americanas na Jordânia. Segundo Pimenta, o episódio mostra que esses regimes não têm a unidade que aparentam. O presidente do PCO também chamou atenção para o acordo nuclear discutido entre Trump e a Arábia Saudita, que abre caminho para o desenvolvimento de uma bomba atômica pelo regime saudita.
Robinson Farinazzo relatou a viagem que fez recentemente ao Irã, durante a qual presenciou as consequências dos bombardeios norte-americanos. Segundo ele, a delegação tentou chegar a Minab, onde 168 crianças foram mortas, mas foi impedida pela continuidade dos ataques aéreos.
O comandante descreveu ainda a destruição provocada em Lamerd, cidade de cerca de 30 mil habitantes ao sul de Xiraz. De acordo com seu relato, não havia guarnição da Guarda Revolucionária nem defesa antiaérea no local, e os mísseis atingiram o centro urbano, inclusive uma quadra esportiva.
“Conversamos com a mãe de uma criança de dois anos, morta pelos mísseis norte-americanos. Foi um ataque de terror. Como esses mísseis são de precisão, você sabe onde eles vão cair. E caíram numa zona civil”, declarou.
Farinazzo afirmou que os ataques produziram o resultado contrário ao pretendido pelos Estados Unidos. Em vez de quebrar a população, aumentaram a disposição de resistência.
“A sociedade iraniana está muito revoltada com os Estados Unidos e com Trump, principalmente por causa da morte de crianças. Se depender do ânimo da população iraniana, isso não vai parar tão cedo”, disse.
O comandante também explicou a importância dos ataques iranianos contra radares, centros de comando, comunicações, depósitos de munição, alojamentos e hangares norte-americanos. Segundo ele, a destruição da rede de alerta antecipado reduziu o tempo de reação dos Estados Unidos e aumentou a precisão dos ataques iranianos.
“Eles estão escolhendo principalmente radares, centros de comunicação, centros de comando, alojamentos de tropa, paióis de munição e hangares de aeronaves. Estão arrasando com a Força Aérea norte-americana”, afirmou.
Farinazzo acrescentou que os mísseis iranianos mais modernos podem mudar de trajetória nos quilômetros finais do voo, o que dificulta a identificação dos alvos. Ele também considerou plausível a existência de colaboração interna na Jordânia, pois os ataques têm atingido instalações norte-americanas com grande precisão, sem causar danos comparáveis às posições jordanianas.
Na parte dedicada à Europa, Pimenta afirmou que a ascensão eleitoral de Marine Le Pen e a fragmentação da esquerda francesa expressam a decomposição do regime político do país. Para ele, setores da burguesia francesa procuram dividir a esquerda para impedir Jean-Luc Mélenchon de chegar ao segundo turno e obrigar seus eleitores a apoiar o candidato do macronismo.
“O problema da burguesia francesa é levar o candidato de Macron para o segundo turno. É preciso golpear duramente a candidatura de Mélenchon para que isso aconteça. E o Partido Comunista, ao que tudo indica, está fazendo o jogo da burguesia”, afirmou.
Ao comentar a troca de primeiro-ministro no Reino Unido, Pimenta declarou que o Partido Trabalhista atravessa um processo de desintegração e que as manobras da burguesia podem apenas retardar sua queda. Farinazzo acrescentou que a política externa britânica não mudou: o país permanece entre os principais apoiadores da guerra da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra a Rússia e do financiamento ao regime ucraniano.
O programa também abordou os exercícios militares chineses no Estreito de Taiwan. Farinazzo avaliou que os Estados Unidos aumentarão a pressão contra a China, mas observou que o desgaste dos estoques militares norte-americanos na Ucrânia e no Irã oferece uma vantagem momentânea ao governo chinês.
Pimenta alertou que o imperialismo pode abrir uma nova frente militar contra a China à medida que avança contra Irã e Rússia.
“Nós estamos vendo que o imperialismo não tem freio. Eles podem muito bem abrir uma frente de ação militar contra a China. Não acho que seja uma coisa a desconsiderar”, concluiu.





