O presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República, Rui Costa Pimenta, participou nesta terça-feira (21) do programa Terça sem Filtro, transmitido pelo canal Galo Preto. Em conversa com o jornalista Leandro Fortes, Pimenta tratou da guerra do imperialismo contra o Irã, do desmoronamento dos regimes políticos nos países centrais, do avanço da censura e da campanha eleitoral brasileira.
Ao comentar a declaração de Donald Trump de que os Estados Unidos já gastaram US$190 bilhões na guerra contra o Irã, Pimenta afirmou que o dado revela a capacidade do capitalismo de mobilizar uma quantidade gigantesca de recursos para fins destrutivos.
“É um retrato do capitalismo atual, onde se tem a capacidade de gastar essa quantidade de dinheiro em forças puramente destrutivas. É uma guerra meio sem sentido, fora o fato de que é uma intimidação contra um país que não se submete aos ditames do imperialismo”, disse.
Segundo o dirigente do PCO, o argumento de que o Irã não deve ser defendido por não possuir um regime semelhante às democracias ocidentais encobre a função colonial desses regimes. “As chamadas democracias são um regime político de tipo colonial. Onde o cidadão fala ‘esse país é uma democracia’, você pode ter certeza de que é um país completamente dominado pelo imperialismo”, declarou.
Pimenta destacou que a Revolução Islâmica criou uma organização política própria, com eleições, Parlamento e presidente, mas preservou o controle das forças armadas e da Guarda Revolucionária nas mãos dos setores anti-imperialistas. Para ele, isso impediu que políticos burgueses entregassem completamente o país ao imperialismo.
O presidente do PCO afirmou que os principais países imperialistas atravessam uma crise política e econômica prolongada. Citou a instabilidade do Reino Unido, que chegou ao sétimo primeiro-ministro em nove anos, e a ascensão de Donald Trump nos Estados Unidos como demonstrações do desgaste dos partidos tradicionais.
“A vitória do Donald Trump é a vitória de uma pessoa que saiu de fora do sistema tradicional. Não quer dizer que ele seja uma boa pessoa. A vitória eleitoral dele está expressando a crise do sistema político”, explicou.
Na economia, Pimenta ressaltou que o capitalismo não conseguiu superar a crise iniciada em 2008. Ao mesmo tempo, países como China, Rússia e Irã ampliaram sua força, enquanto povos africanos e árabes procuram maior independência diante do imperialismo.
Segundo ele, a burguesia procura preparar a extrema direita para impor uma ofensiva violenta contra os trabalhadores. O crescimento dessas organizações ocorre mais rapidamente porque elas representam setores burgueses e dispõem de dinheiro, enquanto a esquerda revolucionária permanece, em muitos casos, ligada à esquerda tradicional.
Outro tema do programa foi o avanço dos crimes de opinião. Pimenta voltou a criticar o apoio de setores da esquerda a medidas autoritárias inicialmente apresentadas como instrumentos contra a direita.
“Medidas autoritárias são tomadas pelo regime político, mesmo que pareçam uma coisa contra um setor de direita. No final das contas, vão se voltar contra os trabalhadores. É praticamente uma lei da política”, afirmou.
Como exemplo, citou projetos contra a chamada misoginia, propostas para proibir críticas a “Israel” e processos por declarações consideradas ofensivas. Para Pimenta, essas medidas aumentam o encarceramento da população pobre e criam um ambiente no qual ninguém sabe claramente o que pode ou não dizer.
“Vai se criando um clima de terror. Por isso, a gente não pode admitir o crime de opinião”, declarou.
O dirigente também criticou a ideia de que a alteração de palavras possa mudar a situação dos negros, dos índios e dos trabalhadores pobres. Segundo ele, o problema principal está nas condições materiais de existência. No caso dos índios, destacou a falta de terras, crédito agrícola, máquinas e assistência técnica.
Ao tratar da campanha presidencial, Pimenta afirmou que o debate eleitoral está profundamente despolitizado. Segundo ele, o PT concentra sua campanha nos escândalos de Flávio Bolsonaro, sem apresentar um programa para o País.
“Quer dizer que o mérito do PT é o quê? Que o Flávio Bolsonaro é um delinquente e eles são honestos? O PT e a esquerda aliada ao PT caíram lá embaixo em termos políticos e ideológicos”, afirmou.
Pimenta advertiu que a própria burguesia procura retirar Flávio Bolsonaro da disputa e substituí-lo por um candidato inteiramente ligado ao grande capital. Caso isso ocorra, toda a direita pode se unificar em torno de uma candidatura da chamada terceira via.
“O problema do Brasil não é o PT. O problema do Brasil é a burguesia, a burguesia imperialista”, disse. Segundo ele, a campanha do PCO não terá como eixo ataques pessoais a Lula, mas a demonstração de que a política de transformar o Brasil por meio das atuais instituições fracassou.
No encerramento, Pimenta ainda comentou a derrota da Argentina na Copa do Mundo e a reação dos torcedores brasileiros em defesa de Pelé. “Pelé é patrimônio do brasileiro. É uma das coisas mais impressionantes que o Brasil já produziu”, afirmou.





