O Plantão Irã desta terça-feira (21) analisou a reação do Iêmen às agressões da Arábia Saudita, a eleição de Calil al-Haia para a direção do Hamas e os ataques iranianos contra instalações militares dos Estados Unidos no Oriente Próximo.
Iêmen responde à Arábia Saudita
O primeiro tema foi o bloqueio marítimo anunciado pelo Iêmen contra embarcações vinculadas à Arábia Saudita. A medida foi adotada após novos ataques sauditas contra o território iemenita, entre eles o bombardeio do aeroporto de Saná.
Burlamaqui lembrou que a Arábia Saudita mantém há mais de uma década um cerco contra aeroportos, portos e estradas do país. Após as novas agressões, dirigentes do Ansar Alá anunciaram o fim do período de “nem paz nem guerra” e prometeram responder a qualquer ataque.
“A grande notícia desta semana é que o Iêmen anunciou um bloqueio marítimo contra toda a navegação vinculada à Arábia Saudita, invocando a fórmula que eles chamam de ‘bloqueio por bloqueio’. Ou seja, se o Iêmen for bloqueado, a Arábia Saudita também será bloqueada. Diante do anúncio, os primeiros petroleiros sauditas já recuaram no Mar Vermelho”, afirmou Burlamaqui.
O apresentador informou ainda que o seguro de guerra para embarcações no Mar Vermelho subiu de 0,3% para 0,75% do valor dos navios. Segundo um integrante do birô político do Ansar Alá, o Iêmen prepara uma nova etapa para encerrar o cerco.
Para Victor Assis, a medida é necessária para impedir que o imperialismo retome a guerra contra o governo iemenita.
“O Iêmen é dirigido por um regime revolucionário, muito hostilizado pelo imperialismo, e não pode dormir no ponto. Apesar de a situação estar mais controlada do que no período mais intenso da guerra, o imperialismo tenta permanentemente desestabilizar o governo do Ansar Alá”, declarou.
Assis destacou que o desmantelamento do Eixo da Resistência estava entre as exigências apresentadas pelos Estados Unidos antes da guerra contra o Irã. Fora a República Islâmica, as principais forças militares do Eixo são o Hesbolá e o Ansar Alá.
Segundo o comentarista, a Arábia Saudita pode sofrer graves prejuízos caso insista na agressão. O país faz fronteira com o Iêmen e depende das rotas marítimas para a exportação de petróleo.
Hamas elege Calil al-Haia
O programa também tratou da eleição de Calil al-Haia como presidente do birô político do Hamas. Ele sucede Iahia Sinuar, assassinado em combate contra as tropas sionistas em Rafá, em outubro de 2024.
Al-Haia nasceu na Faixa de Gaza em 1960 e integra o Hamas desde sua fundação, em 1987. Participou da Primeira Intifada, foi preso e torturado pelas forças de ocupação e dirigiu delegações palestinas em negociações de cessar-fogo.
O dirigente também teve vários familiares assassinados pelo Estado sionista. Entre eles estão seus filhos Hamza, Osama, Othman e Azan.
Victor Assis afirmou que o processo eleitoral desmente a propaganda que apresenta o Hamas como uma organização ditatorial. Mesmo sob bombardeios e perseguição, o movimento realizou discussões internas e escolheu uma nova direção.
“Quando se põe na balança qual organização é verdadeiramente democrática, entre o Hamas e qualquer instituição do Estado sionista, é a organização palestina que possui um funcionamento muito mais democrático. O Hamas é obrigado a funcionar praticamente na clandestinidade e precisa tomar muitos cuidados para impedir que seus dirigentes sejam assassinados por ‘Israel’”, disse.
O comentarista destacou que a existência de duas candidaturas na etapa final demonstra a realização de um debate político no interior do movimento.
“Se existem duas candidaturas e duas alas, existe uma discussão dentro do partido. Trata-se aparentemente de uma divergência estratégica, e não de uma ruptura política. Eles consideram importante realizar esse debate mesmo sob condições extraordinárias, porque esse funcionamento fortalece o Hamas como organização ligada aos interesses da população palestina”, afirmou.
Assis comparou o funcionamento do Hamas com o da Autoridade Palestina, que passou décadas sem realizar eleições na Cisjordânia. Segundo ele, a vitória do setor mais ligado ao Eixo da Resistência demonstra o apoio popular à luta armada contra o Estado sionista.
Irã ataca bases dos Estados Unidos
Na parte final, Burlamaqui apresentou um informe sobre a décima noite consecutiva de bombardeios norte-americanos contra o Irã. Os ataques concentraram-se principalmente no sul do país, próximo ao Estreito de Ormuz.
Os Estados Unidos atingiram Abadã, Tabriz, Chabahar, Buxehr e os portos de Jasque e Sirik. Também foram registradas explosões em Bandar Abbas, na ilha de Quêixome e em Konarak.
O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) respondeu com novas ondas da Operação Nasr 2. Segundo o órgão militar iraniano, foram atingidas instalações norte-americanas no Barém, no Cuaite, no Catar e na Jordânia.
No Cuaite, os ataques alcançaram as bases aéreas de Ali al-Salem e Ahmed al-Jaber, o porto de Xuaikh, a base de Arifjan, radares, centros de comunicação e sistemas Patriot. Na Jordânia, o CGRI confirmou a destruição de um radar de defesa antimísseis e de um caça F-15.
A Guarda Revolucionária afirmou que dezenas de soldados norte-americanos foram eliminados. O governo de Donald Trump não reconhece as baixas.
Para Assis, os Estados Unidos não encontraram uma saída diante da resposta iraniana.
“Continuamos na mesma etapa da guerra, marcada por uma superioridade militar, política e diplomática do Irã. Diante disso, a liderança norte-americana e o imperialismo de conjunto estão improvisando. Eles rompem o memorando, provocam o Irã e sofrem as consequências. Estão perdendo soldados e precisam omitir os números”, afirmou.
Segundo o comentarista, a política norte-americana busca apenas reduzir as perdas acumuladas desde o início da guerra.
“Seja qual for o cálculo, é um cálculo defensivo. Procuram saber como perder menos, e não como recuperar o terreno perdido. A política do Irã é acertada. Para garantir a sobrevivência do país e do regime, é necessário reagir à altura”, concluiu.





