Enquanto a grande maioria da população se encontra endividada até o pescoço, os latifundiários (batizados pela burguesia singelamente de Agronegócio) tem suas dívidas perdoadas e beneficiados com juros subsidiados para novos empréstimos para renegociação de dívidas.
Nessa quarta-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, divulgou uma nova MP (Medida Provisória) sobre renegociação de dívidas dos latifundiários, que prevê juros de até 12% ao ano, com prazo de oito anos e com carência, para começar a pagar, de dois anos, com um total de recursos que podem chegar até R$ 100 bilhões. Segundo a mesma MP, os juros cobrados podem diminuir de 5% a 11% se os latifundiários justifiquem as suas perdas decorrentes de mudanças climáticas (já dá para imaginar o grau da criatividade desses “artistas” para se beneficiar ainda mais).
Enquanto isso, para os pobres mortais, as modalidades de crédito para pessoas físicas, como empréstimo pessoal (cerca de 7% a 9% ao mês), o rotativo do cartão de crédito (superando 14% ao mês ou mais de 400% ao ano). Ou seja, enquanto os latifundiários são agraciados com juros de 12% ao ano, os trabalhadores e a população em geral são castigados, para satisfazer os interesses dos banqueiros, com juros de 400% a ano.
Mas, a “bondade” do governo não para por aí. Também foi editada uma MP para atender as pessoas comuns. Enquanto o Agronegócio obteve R$ 100 bilhões de crédito, os mais de 83 milhões de pessoas, que se encontram no mapa da inadimplência, obtiveram apenas R$ 7 bilhões. Mas, como toda notícia boa sempre tem uma ruim em seguida, para se obter o empréstimo o governo determinou restrições, ou seja, somente é beneficiário aquele que recebe até 5 salários mínimos, o que corresponde a 20 milhões de pessoas, e os mais de 60 milhões… bem, que se explodam.
Com o benefício de R$ 100 bi para os latifundiários, Durigan anunciou que “o Banco do Brasil está pronto para receber os agricultores endividados, renegociar as dívidas… para que a gente vá adiante para que o Plano Safra recém-anunciado comece a operar”. (Forbes 15/07/2026)
Ou seja, mais uma vez o Banco do Brasil irá arcar com as consequências de beneficiar meia dúzia de picaretas. Foi justamente por conta da inadimplência dos latifundiários que o Banco do Brasil despencou o seu lucro no primeiro trimestre de 2026 em 53,5%, isso sem falar da redução do lucro do banco em 2025 em 45,4% pelo mesmo motivo.
A MP do senhor Durigan de R$ 100 bilhões para os latifundiários, nada mais é que tirar dinheiro dos pobres para dar para os ricos. É um recurso dos Estado que deveria ser utilizado para beneficiar a população carente de tudo: moradia, infraestrutura, saúde, educação etc., e não para um setor que está sentado em uma montanha de dinheiro e que vive dando calote, porque sabem que contam com os seus “amigos” nas instituições do Estado.
É preciso mobilizar para fazer com que os latifundiários paguem pelas suas “dívidas” que são de única e exclusividade deles e que tais vigarices não recaiam no colo dos trabalhadores e do povo brasileiro.




