O artigo “Cleber Rabelo defende a Amazônia e propõe barrar megaprojetos que ameaçam o Pará”, do PSTU e publicado no sítio Opinião Socialista nesta terça-feira (14), é uma expressão, ao mesmo tempo, de atraso e de subserviência desse partido às posições do imperialismo.
“Pré-candidato do PSTU ao governo paraense critica Ferrogrão, privatização das hidrovias, mineração, exploração de petróleo e mercado de carbono e apresenta medidas para defender a floresta, os rios e os povos da Amazônia”, diz o trecho de abertura. Esse é posicionamento do imperialismo, não quer que mexam em nada na Amazônia, ou melhor, só o grande capital é que vai poder.
“O pré-candidato do PSTU ao governo do Pará, Cleber Rabelo, defende a suspensão de grandes projetos econômicos que ameaçam os territórios, os rios e a floresta amazônica.” Ou seja, a população da região amazônica precisa continuar vivendo na Idade da Pedra porque não se deve desenvolver a Amazônia. Afinal, quem precisa de eletricidade, hospitais e escolas?
Segundo o artigo, “para o pré-candidato, projetos apresentados como símbolos de desenvolvimento, modernização ou sustentabilidade escondem graves impactos ambientais e sociais e vêm sendo decididos sem que a população trabalhadora, os povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores artesanais e demais comunidades tradicionais tenham poder real de decisão sobre o futuro de seus territórios.”
O PSTU deveria perguntar também para essa gente se ela quer continuar vivendo no atraso. Além disso, o partido não tem procuração para falar em nome dessas pessoas. Em vez de fazer um debate sério de como desenvolver a região, preferem apenas alegar que “todo mundo fala em defender a Amazônia, mas, na prática, os governos continuam entregando a floresta, os rios e o subsolo para grandes empresas nacionais e estrangeiras.”
Embora o candidato diga que PSTU defende a Amazônia de verdade em vez de “colocar a vida acima do lucro”, o fato é que milhões de pessoas vivem na região sem acesso às comodidades e avanços que as tecnologias podem oferecer. O fato de haver negócios que de alguma maneira prejudique o meio ambiente, é preciso lutar para que os impactos sejam mínimos, mas não se pode abrir mão do desenvolvimento.
Atraso
“Entre os projetos criticados pelo pré-candidato está a Ferrogrão, ferrovia projetada para ligar o norte de Mato Grosso aos portos de Miritituba, no Pará. Cleber afirma que a obra não pode ser analisada apenas como alternativa ao transporte rodoviário”, diz o texto. Então, um meio de transporte que polui muito menos que o transporte rodoviário é atacado. Sobrariam as hidrovias, mas isso também o PSTU não quer pois supostamente “alteração da dinâmica natural dos sedimentos, a destruição de bancos de areia e praias, os impactos sobre áreas de reprodução dos peixes, a ameaça à pesca artesanal e à segurança alimentar das comunidades e o risco de remobilização do mercúrio depositado no fundo do rio.”
Em outras palavras, não pode nada, ainda que os problemas em hidrovias possam ser facilmente evitados, pois os sedimentos são frequentemente reutilizados. Na verdade, é preciso, pelo menos para o PSTU, que a coisa fique como está, no atraso.
O partido critica até Belo Monte, uma hidrelétrica que leva eletricidade para a região. Só não explicam como é que se poderia sustentar o funcionamento de um hospital sem energia elétrica.
Hipocrisia
Essas pessoas e partidos que falam o tempo todo em “proteção da Amazônia” vivem em lugares com eletricidade e conforto, não querem viver uma região sem esse tipo de comodidade, mas querem impor isso aos milhões de brasileiros que ali vivem.
Mesmo um projeto como o da exploração de petróleo na Margem Equatorial, em alto-mar e a centenas de quilômetros da costa, é criticado.
Como diz o texto “Cleber também critica a abertura de uma nova fronteira de exploração de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas e na Margem Equatorial.” Para sustentar esse absurdo, alegam que “cientistas e ambientalistas alertam para os riscos de vazamentos em uma região de dinâmica oceânica complexa e ainda insuficientemente conhecida.” Quais cientistas? Qualquer ação humana gera algum tipo de risco, e a Petrobrás praticamente não conhece acidentes desse tipo.
Ainda assim, o texto recorre a mentiras e exageros, diz que “no dia 4 de janeiro, a partir da instalação Navio Sonda 42 (NS-42), ocorreu o vazamento de fluido de perfuração de base não aquosa na Foz do Amazonas, o que levou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicar uma multa de R$ 2,5 milhões à Petrobras.”
O fluido que vazou não era tóxico e foi uma quantidade mínima sem qualquer impacto ambiental. Mesmo assim, a Petrobrás, ao detectar o pequeno vazamento, interrompeu a operação para manutenção. Se foi multada, é porque existe interesse externo em barrar a prospecção de petróleo pelo Brasil.
Outra fraude é a afirmação de que pode haver “impactos potenciais sobre o sistema recifal amazônico, os manguezais, a biodiversidade marinha e a pesca artesanal”. Essa história de recifes foi uma invenção do Greenpeace, uma ONG financiada pelo imperialismo.
Falsos marxistas
Embora o PSTU se diga marxista, como um grupo pode se considerar materialista dialético se é contra o progresso?
Como esse partido espera que o socialismo seja viável sem que as forças produtivas estejam plenamente desenvolvidas?
Esse posicionamento retrógrado já nem causa espanto, pois esse partido apoia todo tipo de política antioperária. Seja apoiando o golpe no Egito, os nazistas na Ucrânia e o golpe contra Dilma Rousseff que levou Michel Temer ao poder.
Uma coisa, no entanto, é certa, não tem uma única opinião do PSTU que não “coincida” com as do imperialismo. Uma delas é deixar a Amazônia intacta, assim, no momento oportuno, o grande capital lucrará muito mais.




