Quase dois meses após o fim da greve que paralisou a Universidade do Distrito Federal (UnDF) por 48 dias, estudantes e professores afirmam que as principais reivindicações seguem sem solução. As aulas foram retomadas em 8 de maio, já com a mudança para o Campus Norte, em Ceilândia.
Entre os problemas denunciados estão a falta de estrutura adequada, a assistência estudantil insuficiente, a ausência de autonomia universitária consolidada e a desvalorização dos docentes.
Um dos principais alvos de crítica é o uso do prédio alugado do Iesb, em contrato estimado em cerca de R$110 milhões. Bárbara Oliveira, presidenta do Diretório Central Acadêmico (DCA), afirmou que a transferência ocorreu “de forma compulsória para parte da comunidade acadêmica”.
Louis Blanchet, presidente do SindUnDF, afirmou que a autonomia universitária foi garantida apenas “momentaneamente”, com a nomeação de docentes para cargos de gestão. Segundo o sindicato, a medida não foi consolidada nas normas da instituição, e cargos como reitor, diretor de escola, coordenador de centro e coordenador de curso não são escolhidos por eleição.
A mudança para Ceilândia também agravou as dificuldades de permanência. Estudantes apontam falta de transporte público, sobretudo à noite, iluminação precária no entorno e no estacionamento, além de alimentação insuficiente e cara.
O sindicato critica ainda o uso de recursos do Fundo de Apoio à Pesquisa do DF (FunDF) para o aluguel, aponta desvio de finalidade e violação de preceitos de licitação, com busca de preços feita após a escolha do imóvel. A UnDF informou que as greves foram encerradas, que as unidades seguem funcionando, que o TJDFT reconheceu a legalidade do contrato e que estão em andamento medidas para implementar os conselhos superiores.



