O governo alemão aprovou, nesta segunda-feira (6), o projeto de orçamento federal para 2027, com um forte aumento dos gastos militares. A proposta eleva o orçamento militar do país para US$125 bilhões, contra US$94 bilhões no ano anterior, um crescimento de quase um terço.
A medida faz parte da política de rearmamento conduzida pelo chanceler Friedrich Merz, que busca adequar a Alemanha às novas exigências da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e às pressões dos EUA para que os aliados europeus assumam uma parcela maior das despesas militares da aliança imperialista.
Segundo o projeto, os gastos militares alemães continuarão crescendo nos próximos anos, podendo ultrapassar US$200 bilhões em 2030. O orçamento federal total previsto para 2027 é de mais de US$633 bilhões, com uma parte importante destinada à compra de armamentos e à modernização das Forças Armadas alemãs.
O projeto também reserva US$13,25 bilhões em ajuda militar à Ucrânia em 2027. Nos anos seguintes, essa quantia deve cair para US$9,7 bilhões anuais. A Alemanha está entre os principais fornecedores europeus de armamentos ao regime ucraniano, sustentado pela OTAN na guerra contra a Rússia.
Para financiar o aumento, o governo alemão pretende ampliar o endividamento público. A previsão é de €135,5 bilhões em novas dívidas no próximo ano, cerca de US$155 bilhões. A autorização total para empréstimos pode chegar a mais de US$230 bilhões, abrangendo tanto os projetos militares quanto obras de infraestrutura atrasadas após anos de restrição fiscal.
O projeto ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento. A proposta é apresentada em meio à pressão dos EUA para impor aos países da OTAN a chamada política de NATO 3.0, isto é, um aumento dos gastos militares, da produção de armas e do financiamento direto das operações da aliança.
O aumento do orçamento alemão ocorre às vésperas da reunião anual da OTAN em Ancara, na Turquia. Os dirigentes da aliança devem discutir novas metas de gastos militares, a ampliação da produção de armamentos e a continuidade do apoio ao governo ucraniano.
Antes da reunião, o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, afirmou que os países membros devem transformar o aumento dos orçamentos militares em capacidades militares concretas. Rutte também apontou a Turquia como um país central para a estratégia militar da aliança nos próximos anos.
A pressão dos EUA sobre os aliados europeus é parte de uma política mais ampla de transferência de encargos. O governo norte-americano quer reduzir o peso direto dos EUA no financiamento da OTAN, obrigando os demais países imperialistas e aliados a gastar mais com armas, tropas e infraestrutura militar.
Ao mesmo tempo, o Canadá prepara o anúncio de cerca de 10 membros fundadores de um novo Banco Global de Defesa, Segurança e Resiliência. O objetivo é mobilizar até US$133 bilhões em financiamento barato para projetos militares de países aliados, dentro de uma estrutura apresentada como iniciativa de “potências médias”.
A proposta foi elaborada pelo Canadá e por aliados europeus. Luxemburgo deve sediar a nova instituição. Países como Coreia do Sul e Alemanha avaliam participar ou acompanhar o projeto como observadores.



