Juca Simonard

Editor da revista Na Zona do Agrião e redator do Dossiê Causa Operária

Coluna

CBF, a grande culpada pela eliminação da Seleção

Agora, a CBF terá de decidir se manterá o técnico, que tem contrato até 2030, ou se trocará o comando da Seleção

A grande culpada pela eliminação do Brasil — como costuma ser, pelo menos em algum grau — é a CBF. Começamos o ciclo para a Copa do Mundo sem nenhuma previsão de ter um técnico. A imprensa ficou numa verdadeira guerra para enfiar um técnico estrangeiro na Seleção Brasileira, e o então presidente, Ednaldo Rodrigues, aderiu.

Finalmente, após as passagens do provisório Ramon Menezes, de Fernando Diniz e Dorival Júnior, veio o italiano Carlo Ancelotti. E está aí: para aqueles que defendiam que um estrangeiro seria a salvação da pátria — literalmente, nesse caso — nada disso aconteceu.

Mas podemos culpar o treinador nesse caso? Naturalmente, por comandar a equipe eliminada, sim, mas numa medida muito pequena em relação ao verdadeiro culpado: os politiqueiros parasitas que administram nosso futebol.

A demora da CBF em colocar um técnico definitivo no comando da Seleção foi um verdadeiro desastre. Tanto Diniz quanto Dorival assumiram tendo a certeza de que qualquer escorregão, mesmo que pequeno, os faria sair, pois a briga de interesses para colocar um estrangeiro no comando da Seleção era a pauta dominante em todos os jornais burgueses.

Justiça seja feita: nem mesmo Ancelotti foi poupado dos ataques da imprensa nacional — pois o interesse é justamente atacar a Seleção. Os ataques foram, no máximo, mais amenos, já que predomina o famoso complexo de vira-latas no País.

Agora, sobre Ancelotti em si: quando ele foi contratado, todos já sabiam que ele era um tremendo retranqueiro. Os jornalistas burgueses que entraram em guerra para defender que ele comandasse o escrete nacional não têm, portanto, moral alguma para criticar o estilo “reativo” do Brasil de jogar futebol. Aliás, teriam razão em dizer que essa nunca foi a forma brasileira de jogar.

Desde os tempos de Cristóvão Colombo, uma equipe adversária não registrava mais chutes a gol do que a nossa, como aconteceu na partida contra Marrocos. Mas o esquema de Ancelotti era conhecido de todos. As críticas da imprensa após o empate em 1 x 1 contra os atuais campeões africanos não foram apenas desmedidas, mas completamente hipócritas.

Naturalmente, críticas serão feitas, já que a derrota veio. Mas não esqueçamos dos interesseiros que trabalham diariamente pelo fracasso da nossa Seleção, representante original de todos os povos oprimidos do mundo contra o esquema de manipulação dos grandes tubarões do futebol e sua federação: a FIFA, que, por enquanto, favorece o seu garoto-propaganda, Messi, e as seleções dos grandes países imperialistas.

Dito isso, durante toda a Copa, a imprensa inventou que um ou outro deveria ser titular no lugar de qualquer que fosse o jogador. Depois da primeira partida, Igor Thiago já não servia mais. Logo ele, o vice-artilheiro do tão elogiado Campeonato Inglês — que, segundo a imprensa, no seu mundo de propaganda contra o futebol nacional, seria o primor das competições.

A campanha foi feita para que Endrick e Rayan se tornassem titulares. O segundo conseguiu, mas só fez boa partida contra a Escócia, sumindo em todas as outras. Já Endrick teve alguns minutos, mas não fez a diferença que se esperava. Eles não têm culpa de serem metidos no esquema mesquinho da imprensa para sabotar a Seleção. Afinal, são muito jovens e merecem mais chances de vestir a Amarelinha.

Mas me chama a atenção que alguns jogadores que fizeram boas partidas quando tiveram oportunidades foram escanteados. O que mais chama atenção foi Luiz Henrique, que, se fez uma partida ruim pela Seleção, seria muito.

Por que um jogador com histórico excelente com a Amarelinha foi preterido por Rayan, que teve suas primeiras chances às vésperas da Copa do Mundo? A imprensa informou que Luiz Henrique não estaria se dedicando nos treinos, mas tenho muitas dúvidas sobre isso. É bem mais provável que Ancelotti tenha sido pressionado pela imprensa, que, em nome dos grandes empresários, prefere muito mais valorizar um jogador do Campeonato Inglês, Rayan, do Bournemouth, do que um jogador do criminalizado Campeonato Russo, Luiz Henrique, do Zenit.

Nenhuma afirmação pode ser feita. Por um lado, a imprensa burguesa mente e inventa qualquer motivo para sabotar a equipe nacional; por outro, apenas a comissão técnica sabe do desempenho dos jogadores nos treinos.

Chama atenção, porém, a completa falta de comoção dos abutres da imprensa nacional com a relegação do atacante do Zenit, ainda mais em jogos nos quais faltou profundidade pelo lado direito, como contra o Japão e contra a Noruega.

Mesmo do ponto de vista da retranca ancelottiana, um jogador rápido, forte e driblador como Luiz Henrique seria uma excelente opção para romper a defesa adversária.

Enfim, são dúvidas que ficam.

Sobre Neymar, a grande polêmica da Copa do Mundo: o craque nacional, em sua pior forma física, mostrou que poderia facilmente, estando apto fisicamente, ser titular dessa Seleção. Foi provavelmente o melhor jogador brasileiro na derrota contra a Noruega. Nos poucos 15 minutos que jogou na sua estreia contra a Escócia, criou três chances de gol, mais do que qualquer outro jogador que atuou três ou quatro jogos inteiros.

Por fim, a nossa Seleção não jogou mal como a imprensa buscará apresentar. Fomos mal nos primeiros 30 minutos contra Marrocos, mas dominamos o resto do jogo; conquistamos vitórias convincentes contra Haiti e Escócia; dominamos completamente o jogo contra o Japão, apesar de termos levado o primeiro gol numa falha na saída de bola.

Contra a Noruega, fomos eliminados por desperdiçar nossas chances: perdemos pênaltis, gols frente a frente com o goleiro e tomamos decisões erradas no último terço do campo. Poderíamos ter ganhado a partida. Mas é aquilo: quem chama muito o adversário pode acabar levando gols em falhas defensivas, ainda mais quando o adversário tem uma verdadeira máquina de marcar, como Haaland.

Agora, a CBF terá de decidir se manterá o técnico, que tem contrato até 2030, ou se trocará o comando da Seleção. Se decidir pelo segundo caminho, que o faça logo, sem os distúrbios que marcaram o ciclo após a eliminação em 2022.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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