Milhões de pessoas se reuniram neste sábado (4) na Grande Mossala de Teerã para a oração fúnebre pelo aiatolá Saied Ali Khamenei, Líder da Revolução Islâmica assassinado pelos Estados Unidos e por “Israel” no primeiro dia da agressão imperialista contra o Irã, em 28 de fevereiro.
A cerimônia ocorreu no segundo dia do luto nacional de seis dias decretado pela República Islâmica. Segundo estimativas iranianas divulgadas pela Al Mayadeen English, entre 15 milhões e 20 milhões de pessoas devem participar, somente em Teerã, das homenagens ao dirigente iraniano ao longo de três dias.
O corpo de Khamenei chegou ao complexo religioso acompanhado por familiares. A oração fúnebre foi conduzida pelo xeique Jafar Sobhani e contou com a presença do presidente Masoud Pezeshkian, do presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, do chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni-Ejei, de altos funcionários do Estado iraniano, integrantes das Forças Armadas e filhos do líder assassinado.
Antes da oração, foi executado o hino nacional e realizada uma cerimônia de honras militares. Nas ruas e no interior da Grande Mossala, os manifestantes carregavam bandeiras do Irã, retratos de Khamenei e do novo Líder da Revolução Islâmica, o aiatolá Saied Mojtaba Hosseini Khamenei. Também foram levantadas bandeiras vermelhas, símbolo do chamado à vingança contra o assassinato do líder iraniano.
As palavras de ordem mais repetidas foram contra os Estados Unidos e “Israel”. “Morte à América” e “vingança, vingança” ecoaram no complexo religioso, enquanto milhares de pessoas chegavam a pé ao local. Segundo a imprensa estrangeira presente, muitos caminharam vários quilômetros para participar da despedida.
O funeral também reuniu delegações de mais de 100 países, segundo informações iranianas. Participaram representantes oficiais, dirigentes religiosos, figuras ligadas ao Eixo da Resistência e enviados de governos estrangeiros.
Entre os presentes estavam o primeiro-ministro do Paquistão, Xebaz Xarif, o ex-presidente russo Dmitri Medvedev, em nome do presidente Vladimir Putin, representantes do Hamas, do Hesbolá, do governo do Afeganistão, além de delegações do Iraque, Turquia, Arábia Saudita, Omã, Catar, Nicarágua, Mianmar e de organismos internacionais, como a Organização de Cooperação Econômica.
A presença de delegações estrangeiras expressa o lugar ocupado pelo Irã na luta contra o imperialismo no Oriente Próximo. Khamenei dirigiu a República Islâmica desde 1989 e, ao longo de mais de três décadas, consolidou a política de apoio à Palestina, ao Líbano, ao Iêmen e às demais forças que enfrentam os Estados Unidos e “Israel” na região.
O cortejo permanecerá em Teerã até esta segunda-feira (6). Na terça-feira (7), seguirá para Qom. Na quarta-feira (8), será levado às cidades sagradas xiitas no Iraque. O encerramento das cerimônias está previsto para quinta-feira (9), com o enterro em Mashhad, cidade natal de Khamenei, no nordeste do Irã.
Familiares de Khamenei assassinados nos ataques dos Estados Unidos e de “Israel”, entre eles uma neta ainda bebê, também serão sepultados durante as cerimônias fúnebres.
Analistas ouvidos pela Al Mayadeen avaliaram que a mobilização em Teerã demonstra que o plano imperialista de desestabilizar o Irã fracassou. Segundo eles, a multidão reunida na capital mostra um país coeso, com capacidade de responder à agressão e de atuar na reorganização das relações internacionais contra a dominação norte-americana.
“O povo iraniano surpreendeu o mundo. Não é exagero dizer que este é o funeral do século”, disse um dos analistas ao canal árabe. Outro afirmou que “a cena de hoje diz que o Irã é forte e coeso” e que o país “participará ativamente do estabelecimento de um mundo multipolar”.
Qalibaf afirmou que o chamado à vingança feito pelo povo iraniano deve ser ouvido em todo o mundo. O comandante do Exército, major-general Amir Hatami, também declarou que os Estados Unidos e “Israel” pagarão pelo sangue do líder assassinado e dos demais mártires iranianos.
Apesar da pausa nos combates após um entendimento inicial entre Irã e Estados Unidos, os dirigentes iranianos destacaram que o país permanece preparado para responder a qualquer nova agressão contra seu território ou sua soberania.
As autoridades iranianas adotaram medidas de segurança em Teerã, com bloqueios de vias, restrições no tráfego e orientações transmitidas pela televisão estatal para evitar acidentes durante a concentração popular.




