O governo iraniano negou, nesta segunda-feira (29), que reuniões técnicas com os Estados Unidos estejam marcadas para esta semana em Doha, no Catar. A declaração foi feita após publicações da imprensa norte-americana afirmarem que representantes dos dois países se reuniriam na capital catari para tratar das divergências sobre o Memorando de Islamabade.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, integrante da equipe negociadora iraniana, afirmou que as informações sobre reuniões técnicas “não estão confirmadas”.
“Reuniões técnicas dos grupos de trabalho não foram marcadas para esta semana”, declarou Gharibabadi. Segundo ele, as consultas com o Catar continuam, principalmente para acompanhar o cumprimento dos compromissos assumidos pela outra parte no memorando assinado entre Irã e Estados Unidos.
Gharibabadi afirmou ainda que a primeira rodada de conversas técnicas, no interior dos grupos de trabalho definidos pelo acordo, ocorrerá apenas quando as condições forem atendidas e depois de um entendimento sobre a data e o local. O diplomata destacou que as tratativas continuam por meio dos países mediadores.
A declaração foi feita depois de o presidente norte-americano Donald Trump publicar, na rede Truth Social, que as duas partes se reuniriam na terça-feira (30) em Doha. A imprensa norte-americana também divulgou que representantes dos dois países haviam concordado em realizar consultas no Catar para tratar de diferenças sobre o Estreito de Ormuz.
Negociação depende do cumprimento do memorando
O porta-voz da equipe negociadora iraniana, Esmail Baghaei, também negou que haja conversas previstas com representantes norte-americanos. Segundo ele, o Irã ainda não considera que os termos centrais do memorando tenham sido cumpridos.
“A prioridade atual do Irã é assegurar a implementação das disposições do memorando, e estamos acompanhando seriamente nossas demandas nesse sentido”, afirmou Baghaei.
De acordo com o diplomata, qualquer negociação para um acordo final entre Irã e Estados Unidos depende do início e da continuidade da implementação dos itens 1, 4, 5, 10 e 11 do memorando. Entre os pontos cobrados pelo Irã estão a autorização provisória para a exportação de petróleo iraniano e a liberação dos fundos iranianos bloqueados no exterior.
Baghaei explicou que uma delegação iraniana viajará a Doha nos próximos dias para tratar especificamente dos ativos bloqueados. A viagem, segundo ele, não está relacionada a nenhuma reunião com negociadores norte-americanos.
“Nos próximos dias, não teremos reuniões de negociação em nenhum nível com o lado norte-americano, e a viagem de representantes dos Estados Unidos ao Catar não tem relação com a viagem da delegação iraniana”, declarou.
O Memorando de Islamabade, mediado pelo Paquistão e pelo Catar, foi assinado em 17 de junho. O documento tem 14 pontos e prevê uma janela de 60 dias de negociações para a elaboração de um acordo final.
O texto estabelece o fim permanente das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano, além da retirada do bloqueio naval contra o Irã em até 30 dias e a restauração do tráfego comercial pelo Estreito de Ormuz.
A primeira rodada de conversas indiretas ocorreu em 21 de junho, no resort Bürgenstock, na Suíça. A reunião, com a participação de delegações do Irã, dos Estados Unidos, do Paquistão e do Catar, durou cerca de 80 minutos.
A delegação iraniana foi chefiada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, e contou com a participação do chanceler Abbas Araghchi. Na ocasião, o Irã cobrou o cumprimento integral do memorando antes do avanço das negociações para um acordo definitivo.
Segundo a posição apresentada pelo Irã, os contatos técnicos só começam após a execução das cláusulas consideradas essenciais pelo Irã. A delegação que irá ao Catar tratará da liberação dos fundos bloqueados, sem encontro previsto com representantes dos Estados Unidos.




