Europa

Polícia francesa invade espaço sindical por apoio à Palestina

Operação em Marselha teve como alvo dois militantes da revista Supernova, investigados por publicar textos de organizações palestinas

A polícia francesa realizou, no dia 16 de junho, uma operação contra dois militantes da revista Supernova, em Marselha, no sul da França. Diego e Lidia foram detidos, algemados e levados para interrogatório sob a acusação de “apologia ao terrorismo”, em uma investigação ligada à publicação de textos de organizações palestinas.

Segundo declaração divulgada pela Supernova, cerca de 30 agentes do RAID e da Polícia Judiciária arrombaram a entrada do edifício onde moram os dois militantes por volta das 6 horas. Durante a ação, computadores, telefones e documentos foram apreendidos. Diego e Lidia foram interrogados por quatro horas e mantidos sob custódia policial.

A operação também atingiu o espaço Ghassan Kanafani, utilizado para atividades sindicais. O local foi alvo de busca policial, de acordo com a revista.

A Supernova afirmou que a acusação de “apologia ao terrorismo” está ligada à divulgação de textos de organizações palestinas que lutam contra a ocupação sionista e contra o massacre em Gaza. Para a revista, a medida faz parte de uma ofensiva do governo francês contra militantes, sindicalistas, organizações populares e parlamentares que defendem a Palestina.

A publicação também declarou que o processo não atinge apenas Diego e Lidia, mas busca intimidar setores que defendem o direito do povo palestino à resistência. Segundo a nota, a repressão contra a solidariedade à Palestina também atinge a classe operária e suas formas de organização.

A revista citou ainda outros casos de perseguição na França contra ativistas que se manifestaram em defesa da Palestina. Segundo a Supernova, a acusação de “apologia ao terrorismo” tem sido usada de maneira recorrente para tentar impedir atos, declarações e publicações contra a política de “Israel” e de seus aliados.

A Comissão Estudantil Revolucionária do Quênia divulgou uma nota de solidariedade aos integrantes da Supernova. A entidade condenou as invasões domiciliares, a apreensão de livros, computadores e documentos, a busca no espaço sindical e a perseguição contra manifestações políticas em defesa da Palestina.

Segundo a organização queniana, a tentativa de igualar o apoio à resistência palestina ao terrorismo serve para calar movimento contrários ao imperialismo e às guerras de ocupação. A comissão afirmou que o povo palestino tem o direito de resistir à ocupação sionista.

A Supernova convocou a organização de uma frente contra a repressão e afirmou, em sua declaração:

“Não nos deixaremos intimidar! A solidariedade é a arma do povo!”.

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