O Ministério da Defesa russo informou a derrubada de 660 veículos aéreos não tripulados (VANTs) ucranianos, em várias regiões da Rússia, na sexta-feira (26), durante uma das maiores ondas de ataques da guerra. Os aparelhos foram interceptados sobre 13 regiões, incluindo Moscou, a península da Crimeia e os mares Negro e de Azov. A ofensiva pressionou defesas aéreas russas, infraestrutura energética e instalações industriais.
O ataque está entre os maiores lançamentos ucranianos de drones de longo alcance. A campanha de Quieve tem mirado infraestrutura energética dentro da Rússia e da Crimeia, buscando provocar falta de combustível, cortes de energia e dificuldades logísticas para o Exército russo. A estratégia tenta deslocar a guerra para a retaguarda russa e aumentar o custo interno do conflito.
Na região de Tula, cerca de 180 quilômetros ao sul de Moscou, o governador Dmitri Miliaiev afirmou que um ataque “massivo” danificou uma casa e feriu uma mulher. Ele também informou danos a uma instalação industrial em Novomoskovsk, a cerca de 200 quilômetros da capital russa. O meio russo Astra identificou a instalação como a fábrica Azot, descrita pelo presidente ucraniano Vladimir Zelensqui como importante para a produção russa de explosivos.
A Crimeia, controlada por autoridades instaladas pela Rússia, declarou estado de emergência na sexta-feira (26). A península enfrenta falta de combustível e cortes de energia ligados a ataques contra a infraestrutura do sul da Rússia, por onde recebe suprimentos. O governador Sergei Aksionov admitiu que nenhum sistema de defesa aérea é absolutamente perfeito em segurança e eficácia, reconhecendo a dificuldade de impedir todos os ataques.
Durante o ataque, Zelensqui afirmou ter recebido informações de inteligência indicando que Belarus constrói infraestrutura e depósitos perto da fronteira ucraniana para fins militares. Segundo ele, essas medidas ocorreriam sob influência russa e poderiam preparar uma expansão da agressão contra a Ucrânia. A declaração veio após relatos nos Estados Unidos de que a Rússia pressionaria Bielorrússia a permitir o uso de seu território para novos ataques.
O governo russo negou a acusação. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que a notícia “não corresponde à realidade”. Belarus também rejeitou a ideia de entrar diretamente na guerra. O presidente Alexandre Lukashenko disse ter advertido autoridades ucranianas de que Quieve não deveria tentar arrastar seu país para o conflito.
A derrubada de 660 drones mostra que a guerra aérea entrou em uma fase de grande escala. A Ucrânia tenta compensar dificuldades no front com ataques de longo alcance, enquanto a Rússia precisa defender vasto território e infraestrutura estratégica. A disputa sobre Belarus acrescenta risco regional à ofensiva, mesmo com Moscou e Minsk negando intenção de ampliar diretamente a guerra por aquela fronteira.





