O primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, prometeu impedir a participação de seu país em empréstimos militares para a Ucrânia, ao falar com estudantes na quarta-feira (24). A declaração foi dirigida ao pacote de 70 bilhões de euros apoiado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que deve ser discutido em uma cúpula em Ancara nos dias 7 e 8 de julho.
Fico afirmou que acompanha com preocupação os preparativos da reunião da OTAN e que voltou a ouvir propostas para levantar dinheiro destinado ao governo ucraniano. Pela primeira vez, disse publicamente que “fará tudo” para que a Eslováquia não participe de créditos militares voltados ao conflito. O valor indicado pelo plano também equivale a cerca de 80 bilhões de dólares, convertendo-se a partir do montante em euros.
A iniciativa em debate prevê ajuda militar adicional por vários anos e ainda está em negociação entre os integrantes do bloco. O plano teria apoio da Alemanha, mas os membros seguem discutindo a divisão dos custos. Relatos anteriores indicavam que a participação dos EUA ainda era incerta e que 30 bilhões de euros sairiam do pacote já existente da União Europeia.
O chefe de governo eslovaco, que sobreviveu a uma tentativa de assassinato de um ativista pró-Ucrânia, tem defendido diálogo com todos os lados e criticado a incapacidade dos países europeus de atuar pelo encerramento da guerra.
Neste ano, Fico foi o único líder de um país da União Europeia a comparecer às celebrações do Dia da Vitória em Moscou. Na ocasião, pediu a retomada de conversas com a Rússia. A recusa eslovaca cria mais um ponto de atrito dentro da OTAN e da União Europeia, porque o pacote depende de acordo sobre custos e participação nacional. A declaração indica que a Eslováquia tentará bloquear sua inclusão em mecanismos de financiamento bélico, mesmo que outros governos defendam ampliar o fluxo de recursos.
O chanceler russo, Serguei Lavrov, afirmou nesta semana que o apoio militar contínuo ao governo ucraniano minou qualquer alegação de neutralidade dos países que sustentam esse envio de armas.





