Guerra no Oriente Próximo

Rubio diz que fim das agressões é impossível, apesar do acordo

Ministério das Relações Exteriores do Irã denunciou que EUA tentam alterar o sentido do documento firmado em 17 de junho

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que uma cessação completa das hostilidades na região não seria possível, na terça-feira (23), apesar de esse ponto constar no memorando de entendimento firmado com o Irã. O secretário provavelmente se referia ao fim das agressões de “Israel” contra o Líbano, a Palestina e demais países da região, exceto o Irã. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, respondeu na quarta-feira (24) que o país não aceitará tentativas norte-americanas de redefinir o acordo.

Rubio declarou que não haveria como encerrar hostilidades e conflitos regionais enquanto grupos aliados ao Irã lançassem mísseis e drones a partir do Iraque ou participassem de ações atribuídas por ele ao Hamas e ao Hesbolá. A posição foi contestada por Baghaei em publicação na rede X. O porta-voz afirmou que “ninguém será enganado” pela tentativa do chefe da diplomacia norte-americana de alterar o sentido do memorando. Para o Irã, o fim completo das agressões na região é parte central do entendimento assinado em 17 de junho e não pode ser tratado como promessa secundária.

Baghaei também afirmou que a região não poderá ter paz enquanto persistirem o militarismo e a intervenção dos EUA, além da atuação impune de seu aliado ocupante, em referência a “Israel”. Em outra publicação, declarou que a cúpula governante norte-americana nunca demonstrou sinceridade em relação ao povo iraniano. O documento abriu um período de 60 dias de negociações destinado a buscar um arranjo final para o conflito iniciado pela agressão dos EUA e de “Israel” contra o Irã no fim de fevereiro. A pauta prevista inclui alívio das sanções dos EUA, programa nuclear iraniano, tráfego no Estreito de Ormuz e outros pontos ligados à segurança regional e à circulação de energia.

Um assessor sênior do Líder da Revolução Islâmica, Mohammad Mokhber, já havia indicado que o país insistirá na aplicação integral da cláusula sobre o fim completo das hostilidades. Ele advertiu que, se o entendimento permanecer apenas no papel, o fluxo de energia no Oriente Médio também poderá ser interrompido. A resposta iraniana a Rubio busca impedir que o memorando seja usado apenas como trégua parcial, mantendo abertas agressões sob outras justificativas.

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