Causa Operária TV

Zona do Agrião: imprensa burguesa não engole vitória do Brasil

Programa da COTV analisou a vitória por 3 a 0 sobre a Escócia, denunciou a atuação do VAR e a campanha contra a Seleção Brasileira

O programa Zona do Agrião, transmitido pela Causa Operária TV na noite desta quarta-feira (24), após a vitória do Brasil sobre a Escócia por 3 a 0, analisou a melhor atuação da Seleção Brasileira até agora na Copa do Mundo de 2026. Apresentado por Henrique Áreas e Juca Simonard, o programa destacou a classificação brasileira em primeiro lugar no Grupo C, a atuação de Vinícius Júnior, o gol anulado pelo VAR e a campanha permanente da imprensa burguesa contra a Seleção.

Logo no início, Juca Simonard resumiu a partida como a melhor apresentação do Brasil na primeira fase. “Último jogo da primeira fase, Brasil classificado em primeiro lugar. Melhor jogo da seleção até agora, sem sombra de dúvida”, afirmou. Segundo ele, Vinícius Júnior respondeu em campo às críticas recebidas antes da Copa, marcando dois gols e tendo outro anulado pela arbitragem.

Henrique Áreas lembrou que o Brasil venceu com tranquilidade, com dois gols no primeiro tempo, um gol anulado ainda na etapa inicial e mais um na segunda etapa. A Escócia, segundo ele, ofereceu pouco perigo. Neymar entrou no final, no lugar de Matheus Cunha, para ganhar ritmo. “Ele entrou no lugar do Matheus Cunha e deu aquela aquecida, se apresentou para o jogo, achei que foi bom”, disse.

A vitória levou o Brasil aos sete pontos, na liderança do Grupo C. O empate contra o Marrocos na estreia, que foi tratado por parte da imprensa como tropeço, voltou a ser comentado no programa. Para os apresentadores, o desempenho do Marrocos na sequência do grupo confirmou que a estreia brasileira foi justamente a partida mais difícil da chave.

VAR contra o Brasil

Um dos principais temas do programa foi a anulação do gol de Vinícius Júnior. Juca Simonard classificou o lance como mais um caso de sabotagem da arbitragem contra a Seleção Brasileira.

“A primeira coisa que a gente tem que comentar é novamente a sabotagem da arbitragem contra a seleção brasileira. O gol que foi anulado, o segundo gol que o Brasil faz, foi anulado, do Vinicius Jr., é um absurdo essa anulação. O Vini ganha a jogada na frente do cara, o cara chuta o pé dele, o Vini vai lá, faz o gol, e o VAR chama e anula o gol”, afirmou.

O comentarista também citou uma cotovelada sofrida por Lucas Paquetá logo no primeiro minuto da partida. Para ele, o lance merecia ao menos revisão, pois podia resultar em expulsão do jogador escocês. “Ele sofreu uma cotovelada no rosto, o juiz teria que pelo menos analisar. Isso aí no primeiro minuto. Então a gente já sabia que ia ser desse jeito”, disse.

A análise do programa foi a de que o VAR se tornou um instrumento de manipulação mais eficiente do que a velha pressão sobre o árbitro de campo. Segundo Juca, a intervenção de uma equipe atrás das telas permite selecionar imagens e ângulos para alterar decisões importantes.

Pressão alta e gols

Ao comentar o primeiro gol do Brasil, Juca Simonard rejeitou a análise de que a Seleção apenas aproveitou uma falha da defesa escocesa. O lance começou com uma roubada de bola de Rayan, que entregou para Vinícius Júnior marcar. Para o comentarista, o erro adversário foi provocado por uma forma de jogo treinada pela equipe de Carlo Ancelotti.

“Essa jogada de pressão alta, roubada de bola igual a do Brasil, eu estava vendo uma estatística antes da Copa, a seleção brasileira com o Ancelotti marcou muito mais, a maioria dos gols foram marcados em pressão alta dos jogadores. Quer dizer, é uma coisa que é treinada. O gol não vem por acaso, não é uma falha. Tudo bem, é uma falha, mas é uma falha que é condicionada por uma forma de treinamento de estilo de jogo que a seleção joga”, explicou.

Juca avaliou que o Brasil jogou de maneira mais segura, com uma defesa sólida, característica do treinador italiano. Segundo ele, Ancelotti costuma montar uma equipe defensivamente estável e deixar os jogadores mais habilidosos resolverem a partida no ataque.

Vinícius Júnior foi apontado como o principal nome do jogo. Além dos dois gols, o atacante teve participação decisiva nas jogadas ofensivas e assumiu o protagonismo da Seleção. “O Vinicius Junior jogou uma baita partida, fez dois gols, um de cabeça. Eu acho que eu nunca tinha visto o Vinicius fazer gol de cabeça”, disse Juca.

Henrique Áreas também destacou Matheus Cunha, que marcou seu terceiro gol na Copa, e Rayan, responsável pela roubada de bola que originou o primeiro gol. Danilo também foi elogiado. Segundo Henrique, o jogador chegou criticado por setores da imprensa e mostrou bom desempenho nos jogos em que atuou como titular.

“O Danilo, que era o velho, que sei lá o que, reserva do Flamengo, está fazendo até agora uma excelente Copa do Mundo. Ele entrou como reserva no primeiro jogo, titular nos dois últimos jogos. Ele está fazendo uma baita Copa do Mundo”, afirmou.

O Marrocos e a campanha contra a Seleção

Os apresentadores também voltaram ao empate do Brasil contra o Marrocos na estreia. Segundo Juca, a imprensa tratou o resultado como fracasso, mas a sequência do grupo demonstrou que a seleção marroquina era a adversária mais difícil. Henrique lembrou que o Marrocos foi semifinalista da Copa anterior e ocupa posição alta na classificação da FIFA.

Juca citou ainda a declaração de Romário, que havia afirmado que só poderia tratar o empate como tropeço quem não entende de futebol. Para os apresentadores, a evolução do Brasil nos dois jogos seguintes confirmou que a avaliação do ex-jogador estava correta.

“A seleção não só evoluiu como aquele lá foi o jogo mais difícil mesmo. Porque essa era a seleção mais difícil e era o primeiro jogo, tem mais pressão”, disse Juca.

Henrique afirmou que a imprensa burguesa sempre procura uma forma de atacar a Seleção. Se o Brasil vence, o adversário é tratado como fraco. Se empata ou perde, a Seleção é atacada como se estivesse em ruínas. Para ele, a reação diante do empate contra Marrocos e da vitória sobre a Escócia faz parte dessa campanha.

Brasil, país do futebol

Outra parte do programa foi dedicada à defesa do futebol brasileiro diante das críticas de que o Brasil não seria mais o país do futebol. Juca Simonard apresentou dados sobre a presença de jogadores brasileiros nas finais e títulos da Liga dos Campeões da Europa e sobre a regularidade da Seleção Brasileira em Copas do Mundo.

Segundo ele, o Brasil continua sendo a única seleção presente em todas as quartas de final desde 1990. O apresentador comparou essa regularidade com o desempenho recente de campeões europeus, como França, Itália, Espanha e Alemanha, que, após conquistarem a Copa, foram eliminados em fases iniciais em edições seguintes.

“O Brasil não, o Brasil sempre chega. Inclusive, o problema é o seguinte também: tanto o Brasil faz o futebol, que chegar nas quartas de final pra gente é uma merda, porque ninguém gosta. Para o brasileiro tem que ser campeão, a gente não tem outra alternativa”, afirmou.

Juca também criticou a postura de setores da esquerda que, segundo ele, procuram desmerecer a Seleção Brasileira e exaltar a Argentina. O apresentador citou uma charge que associava Messi a Che Guevara e afirmou que a relação política feita em torno do jogador argentino não corresponde à posição real do atleta.

Henrique Áreas acrescentou que os apresentadores não avaliam o jogador por sua posição política. Citou Neymar como exemplo: apesar de sua posição favorável a Bolsonaro, o atacante é reconhecido pelo programa como um grande jogador. Para Henrique, o problema é a tentativa de setores da esquerda de transformar Messi em um símbolo progressista.

Messi, Argentina e Pelé

O programa também dedicou uma longa parte à comparação entre Messi e Pelé e às denúncias de favorecimento à seleção argentina. Henrique Áreas afirmou que a Argentina foi beneficiada na Copa anterior e que isso voltou a aparecer na atual edição. O apresentador citou lances contra a Argélia e pênaltis marcados em favor dos argentinos.

Henrique apresentou como hipótese a relação entre a Fifa, os interesses comerciais em torno de Messi e a necessidade de conquistar apoio de federações fora da Europa. Para ele, a Argentina foi favorecida por combinar a força comercial de Messi com a utilidade política de uma seleção sul-americana que não fosse o Brasil.

Ao comparar Messi e Pelé, Henrique afirmou que as estatísticas não podem ser analisadas sem considerar o tipo de Copa disputada em cada época. Pelé jogou Copas com 16 seleções, em que a primeira fase já reunia adversários fortes. Messi disputou torneios mais longos, com mais partidas e seleções de menor tradição.

“O Pelé, a primeira copa que ele disputou com 17 anos, ele fez seis gols, todos eles em mata-mata: País de Gales, três contra a França, e na final fez mais dois, 17 anos”, disse Henrique.

Juca Simonard apresentou dados comparando médias de gols de Pelé e Messi em jogos oficiais e em Copas, com e sem cobranças de pênalti. Segundo ele, retirados os gols de pênalti, a média de Messi em Copas cai de forma considerável, enquanto Pelé mantém desempenho superior.

CazéTV e o monopólio da Globo

O programa também comentou as críticas contra a CazéTV, principalmente em torno de propagandas de casas de apostas. Henrique Áreas afirmou não ser admirador do canal, mas destacou que sua entrada na transmissão da Copa quebrou o monopólio da Globo e criou uma relação mais amigável com os jogadores da Seleção Brasileira.

“O fato é o seguinte: eles quebraram o monopólio da Globo. É claro, a gente sabe que tem uma outra empresa por trás e tudo mais, mas é uma coisa positiva quebrar o monopólio da Globo”, disse Henrique.

Para o apresentador, a campanha contra a CazéTV aparece com vários pretextos, mas tem como fundo a disputa pelo controle das transmissões. Juca completou afirmando que a crítica às propagandas de casas de apostas é seletiva, pois os bancos e grandes empresas sempre ocuparam espaço nas transmissões tradicionais.

“Não pode fazer propaganda de bet, mas pode fazer do Itaú, do Bradesco, todas as multinacionais. Os bancos que esfolam os brasileiros podem fazer propaganda. Agora, a bet não”, afirmou.

Torcida brasileira

Na parte final, Henrique e Juca comentaram a presença das torcidas brasileiras nos Estados Unidos. Eles criticaram comentários de Casagrande e Milly Lacombe, que trataram a torcida brasileira como artificial ou ensaiada. Para os apresentadores, esse tipo de crítica ignora que, nesta Copa, há uma participação importante de torcidas organizadas tradicionais.

Juca afirmou que o Movimento Verde e Amarelo conseguiu articular torcidas de várias divisões do futebol brasileiro. Henrique destacou que, com a presença dessas torcidas, começaram a aparecer elementos tradicionais dos estádios brasileiros, como o samba.

“Uma coisa que eu vi nessa Copa que a gente não estava vendo é que eles começaram a tocar samba. Que é uma coisa tradicional de torcida organizada e que não acontecia antes e agora está acontecendo. Você vê como é que é um negócio de torcida de verdade. Estamos tocando samba no meio da Times Square lá em Nova Iorque”, disse.

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