O embaixador nigeriano em Moscou, Joseph Olusola Iji, rejeitou acusações dos EUA contra a Nigéria, em entrevista divulgada na quarta-feira (24), e defendeu a ampliação da cooperação com a Rússia em segurança e defesa. O diplomata afirmou que a Nigéria vê a próxima Cúpula Rússia-África, marcada para outubro, como oportunidade para aprofundar laços bilaterais e continentais. A declaração ocorre enquanto o país africano enfrenta novos ataques armados.
Iji afirmou que o fortalecimento das relações com a Rússia estará no centro de sua missão. A Nigéria espera participar da terceira Cúpula Rússia-África e considera o encontro uma plataforma para ampliar a cooperação continental. O chanceler russo, Serguei Lavrov, confirmou que Moscou sediará o encontro de outubro, com previsão de roteiro de cooperação de três anos.
O diplomata nigeriano reconheceu o desequilíbrio comercial entre os dois países e atribuiu o problema a sanções, dificuldades de pagamento e obstáculos de transporte. Para ele, investimentos industriais russos poderiam elevar o equilíbrio do comércio bilateral. Na área militar, apontou conversas sobre segurança e defesa nos níveis mais altos de governo, com interesse nigeriano na experiência russa. Também defendeu cooperação entre meios de comunicação e disse que esse intercâmbio deve aproximar os países.
A crítica aos EUA apareceu no tratamento dado à decisão de Donald Trump de incluir a Nigéria na lista de “Países de Preocupação Particular” em outubro passado, em meio a acusações de genocídio contra cristãos. O governo nigeriano rejeita essa classificação e afirma que a crise é causada por “insurgência e banditismo”, referindo-se à atuação de grupos paramilitares, muitos deles apoiados pelos próprios EUA, os quais atacam pessoas de diferentes religiões. Iji resumiu a posição da Nigéria: “Não é genocídio.” Também disse que “cristãos, muçulmanos e outras religiões são afetados”.
Os ataques mercenários contra o povo nigeriano ganharam novo peso após o ocorrido no estado de Plateau. Ao menos 20 pessoas morreram na madrugada de domingo, na aldeia de Cauel, no distrito de Mushere, área de governo local de Bocos. Homens armados invadiram a comunidade por volta das 4h40. Forças locais e a Unidade de Resposta a Crimes Violentos foram enviadas ao local e trocaram tiros com os agressores.
Dezoito corpos foram encontrados no local, e três feridos foram levados ao hospital. Dois deles morreram depois, elevando o total para 20. Nenhuma organização assumiu a autoria. A Nigéria convive há anos com ataques de organizações armadas e sequestros por resgate, inclusive o sequestro das estudantes de Chiboc em 2014.





