Cúpula do BRICS

Encontro entre Irã e Índia deve reativar comércio de petróleo

Licença de 60 dias autorizou vendas em dólar até 21 de agosto; refinarias podem retomar compras com poucos ajustes

O ministro do Petróleo do Irã, Mohsen Paquenejad, viajou à Índia, na quarta-feira (24), para participar da 11ª Reunião de Ministros de Energia do BRICS, em Gurugram. A viagem ocorre após uma licença dos EUA abrir prazo temporário para operações com petróleo, derivados e petroquímicos iranianos, recolocando a relação comercial com a Índia no centro das negociações. O encontro terá como tema o desenvolvimento energético sustentável, mas ganhou peso pela possibilidade de reativar vendas interrompidas desde 2019.

A Índia foi a segunda maior compradora de petróleo bruto do Irã, atrás da China, até maio de 2019, quando suspendeu as aquisições sob pressão das sanções reimpostas pela primeira administração de Donald Trump. Em 2018, o Irã fornecia cerca de 620 mil barris por dia ao mercado indiano, volume avaliado em quase US$ 48 milhões diários. O produto representava 11,5% das importações indianas de óleo bruto.

A retomada aparece vinculada a um projeto de memorando entre Irã e EUA. O documento prevê suspensão de sanções sobre exportações iranianas e liberação de ativos congelados como pré-condição para a etapa final das conversas. Autoridades iranianas afirmam que qualquer normalização exige a retirada de sanções primárias e secundárias e a reabertura dos canais de transferência de dinheiro.

O Departamento do Tesouro dos EUA emitiu licença geral de 60 dias para produção, entrega e venda de petróleo bruto, derivados e petroquímicos iranianos até 21 de agosto. A autorização também permite pagamentos em dólar, ponto decisivo para operações de grande escala.

O quadro envolve a agressão imperialista no golfo de Omã. A Marinha dos EUA atacou três petroleiros com tripulação indiana em três dias, alegando violação do bloqueio naval contra portos iranianos. Três marinheiros indianos morreram, dezenas foram evacuados, e o governo da Índia convocou o vice-chefe da embaixada dos EUA em Nova Délhi para registrar protesto formal.

A Companhia Nacional Iraniana de Petróleo já iniciou contatos com refinarias e empresas comerciais da Índia. Cerca de 68 milhões de barris de petróleo bruto e condensado iraniano estão em navios, boa parte em águas regionais, com entrega possível em dois ou três dias. Muitas refinarias indianas foram projetadas para processar variedades iranianas e já operaram com crédito de 60 a 90 dias. Paquenejad deve se reunir com Hardeep Singh Puri para discutir óleo, gás, refino e petroquímica.

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