A Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), controlada pelo grupo Aegea, deixou moradores de Pedras Altas sem abastecimento por mais de 24 horas, no Rio Grande do Sul, na segunda-feira (22). Autoridades locais cobraram solução urgente porque a empresa não mantinha equipe na cidade e dependia do deslocamento de trabalhadores de Pinheiro Machado ou Pelotas para atender a falha.
A Corsan foi privatizada em 7 de julho de 2023, quando o governo do Rio Grande do Sul assinou o contrato de venda e transferiu o controle da companhia ao grupo Aegea. A própria Corsan informou no relatório de resultados financeiros de 2024 que houve 1.793 empregados desligados por acordo de saída/PDI em 2023 e 1.076 em 2024. Ao mesmo tempo, a empresa afirmou que terminou 2024 com 4,8 mil colaboradores, contra 3,4 mil no fim de 2023, por reposição de empregados próprios desligados e “primarização” de serviços antes terceirizados.
Em 2025, a própria Corsan descreveu o processo como “plano de reestruturação”, com provisões para acordos de rescisão de empregados com estabilidade, como cipeiros, delegados sindicais e empregados em pré-aposentadoria.
Sem funcionários na cidade, a cobrança pública pelas falhas foi feita no início da manhã pelo integrante da Defesa Civil, Heraldo Machado. Ele afirmou que a Corsan/Aegea esteve no município no domingo, quando realizou trabalhos na rede, e que a água chegou a retornar parcialmente no começo da madrugada. Ao amanhecer, porém, a cidade voltou a ficar desabastecida. A avaliação apresentada à comunidade foi de que a situação exigia deslocamento imediato de equipe técnica.
O problema desta segunda-feira não aparece como caso isolado. O vereador Diego Marques informou que a Câmara Municipal já havia protocolado, em março, uma moção de repúdio contra a atuação da empresa. O documento foi motivado por reclamações recorrentes sobre o serviço e por solicitações feitas diretamente à companhia sem resultado considerado suficiente pelas autoridades locais.
Entre os pontos levantados estão cobranças classificadas como abusivas, falta de contrapartida em qualidade e eficiência, registros de esgoto a céu aberto e vazamentos frequentes na rede. Os vazamentos, segundo as críticas, provocam desperdício, rompimento de asfalto, prejuízos à infraestrutura urbana e transtornos à mobilidade. Também há reclamações sobre ar nos canos, que afetaria o abastecimento e poderia gerar cobrança por consumo inexistente.
Outro problema citado envolve a ausência de um servidor da Corsan/Aegea para resolver demandas documentais da população no próprio município. De acordo com o vereador, a empresa informou que um novo pedido foi formalizado para tentar solucionar essa carência, mas a falta de atendimento local voltou a aparecer como dificuldade no episódio de desabastecimento.
A Corsan/Aegea informou que suas equipes concluíram, nesta segunda-feira, o reparo de uma falha eletromecânica no poço de captação de água de Pedras Altas. A empresa disse que, com a manutenção finalizada, o sistema foi religado e o abastecimento restabelecido.
A nota, porém, não elimina o histórico de queixas apresentado contra a empresa, nem os transtornos e prejuízos causados ao município e à população. Fica claro como a política de privatizações apenas piora os serviços em vez de melhorar, como costumam propagandear seus defensores.



