A artista Bhenji Ra denunciou o encerramento antecipado de seu contrato, na Bienal de Sydney (Austrália), na quinta-feira (18). A artista afirmou que a direção do evento cedeu a uma campanha de pressão política ligada às suas posições em defesa da Palestina. O caso mostrou o poder do lobby sionista sobre a mostra de arte contemporânea da Austrália.
Bhenji Ra atuava como embaixadora do programa ArtSeen, iniciativa de arrecadação da Bienal de Sydney voltada a novos apoiadores. Ela havia sido anunciada em 2025 como primeira embaixadora do programa, com atuação ligada à dança, vídeo, ilustração e atividades comunitárias. A saída ocorreu após meses de ataques por publicações e interações nas redes sociais consideradas “ofensivas” por ONGs sionistas e por políticos conservadores. Para esses grupos, bombardear crianças e sequestrar mulheres e homens para campos de concentração não é ofensivo, ofensivo é falar que isso é errado.
A artista afirmou que se tornou alvo de assédio, exposição de dados pessoais e campanha pública para pressionar a Bienal a encerrar seu contrato. Segundo ela, lideranças de oposição nos níveis estadual e federal ameaçaram retirar 2,5 milhões de dólares australianos em financiamento caso a organização não a afastasse. Bhenji Ra declarou ainda que pediu reconhecimento público e apoio, mas, dias depois, ouviu que a instituição estava “seguindo nova direção”.
A Bienal rejeitou a versão da artista. A organização declarou que, com o fim da fase de lançamento do ArtSeen, a permanência de Bhenji Ra como embaixadora de 2025 havia sido concluída. A instituição agradeceu sua contribuição e afirmou que ela teve papel importante no estabelecimento do programa. O contrato previa a continuidade da artista por mais tempo e o rompimento ocorreu após a pressão sionista.
A ofensiva contra Bhenji Ra se insere em um ambiente mais amplo de vigilância sobre artistas que defendem a Palestina. A Bienal de Sydney já vinha sendo atacada por setores conservadores desde a escolha de Hoor Al Qasimi como diretora artística da edição de 2026 e pela presença de obras e artistas críticos a “Israel”.
No caso de Bhenji Ra, as críticas se concentraram em publicações relacionadas às Forças de Defesa de “Israel” e em interações com textos que acusavam organizações sionistas ao redor do mundo de colaborar com a destruição da Palestina. Um ex-diretor da Bienal, Morry Shwartz, chegou a escrever à organização questionando sua permanência no cargo. Parlamentares conservadores também defenderam a retirada de recursos se a artista não fosse afastada.
A artista disse que permaneceu em silêncio até o fim da mostra para não prejudicar outros participantes. Ao se pronunciar, apresentou sua saída como resultado de uma máquina de pressão pró-“Israel” contra a programação. O caso mostra como instituições culturais podem se tornar vulneráveis quando governos e parlamentares usam recursos públicos como instrumento de coerção política.




