Universidade Marxista

Mossadeq: o homem que nacionalizou o petróleo do Irã em 1951

Primeiro-ministro iraniano assumiu o cargo poucos dias após o voto unânime do parlamento pela nacionalização

Em 28 de abril de 1951, Mohamed Mossadeq tornou-se primeiro-ministro do Irã. A posse ocorreu pouco mais de um mês depois de o Majlis, o parlamento iraniano, aprovar por unanimidade, em 15 de março, a nacionalização da indústria petrolífera do país. Mossadeq assumiu o governo para executar essa decisão, enfrentando diretamente o imperialismo britânico e a Anglo-Iranian Oil Company.

A Universidade Marxista realizará, entre os dias 27 de junho e 5 de julho, o curso A história do Irã e da República Islâmica, parte da Universidade de Férias de inverno da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR). A trajetória de Mossadeq e o processo que levou à nacionalização do petróleo iraniano serão expostos em aula pelo ministrante do curso, Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República.

Mossadeq tinha 62 anos quando assumiu o cargo. Vinha de uma família aristocrática ligada à dinastia Qajar, derrubada por Reza Pahlavi em 1925. Sua carreira política, no entanto, esteve ligada à defesa da Constituição iraniana e da independência nacional.

Aos 24 anos, Mossadeq foi eleito para o primeiro Majlis surgido da Revolução Constitucionalista de 1906, mas não assumiu por não ter a idade mínima exigida, de 30 anos. Voltou ao parlamento em 1924 e em 1926. No período de Reza Pahlavi, opôs-se à mudança arbitrária da Constituição para consolidar a nova dinastia e acabou perseguido e preso pelo regime.

Além da atividade parlamentar, Mossadeq tinha formação jurídica. Estudou na Universidade de Neuchâtel, na Suíça, onde obteve doutorado em Direito. Essa formação teve importância em sua atuação posterior contra os britânicos, tanto nas negociações sobre o petróleo quanto na disputa levada à Corte Internacional de Justiça e ao Conselho de Segurança da ONU.

Mossadeq não era dirigente operário nem chefe de uma organização revolucionária. Era um nacionalista burguês, com longa trajetória parlamentar, que conseguiu reunir diferentes setores da sociedade iraniana em torno de uma reivindicação concreta: o controle do Irã sobre o próprio petróleo.

O caminho até sua chegada ao governo foi marcado por uma crise política cada vez mais aguda. Em 1949, o partido Tudeh, principal partido comunista do Irã, foi proibido depois de um atentado contra o Xá Mohamed Reza Pahlavi. O governo atribuiu o atentado aos comunistas e prendeu centenas de militantes. No ano seguinte, em eleições disputadas, Mossadeq voltou ao parlamento pela Frente Nacional.

O primeiro-ministro indicado pelo Xá naquele período foi o general Haj Ali Razmara. Seu governo tentou chegar a um novo acordo com a Anglo-Iranian Oil Company. O acordo mantinha a estrutura fundamental da concessão britânica e era considerado pior que os acordos obtidos por outros países produtores de petróleo, como a Venezuela e a Arábia Saudita. Os britânicos se recusavam a aceitar uma divisão mais favorável ao Irã e também rejeitavam que autoridades iranianas auditassem as contas da companhia.

A oposição ao acordo cresceu rapidamente. Em março de 1951, Razmara foi assassinado ao visitar uma mesquita. Khalil Tahmassebi, membro do grupo islâmico Fada’iyan-e Islam, foi preso pelo atentado. A prisão deu lugar a manifestações em defesa de sua libertação, com participação de setores do Tudeh, da Frente Nacional e do próprio Fada’iyan-e Islam.

Cinco dias após o assassinato de Razmara, o Majlis aprovou por unanimidade a nacionalização do petróleo. A votação mostrou que a reivindicação de soberania sobre o petróleo havia se tornado majoritária no país. Parlamentares nacionalistas, setores do bazar, religiosos xiitas e organizações de esquerda passaram a pressionar pela ruptura com o controle britânico sobre a principal riqueza iraniana.

Depois da morte de Razmara, Hossein Ala’ assumiu interinamente o governo. Permaneceu apenas 46 dias no cargo. Mossadeq apresentou um novo projeto ligado à nacionalização e a pressão por sua aprovação levou Ala’ à renúncia. Em 28 de abril de 1951, Mossadeq foi nomeado primeiro-ministro.

Em 10 de junho de 1951, diretores iranianos substituíram os diretores britânicos da Anglo-Iranian Oil Company e anunciaram a nacionalização da indústria do petróleo aos trabalhadores da empresa. A partir daquele momento, o Estado iraniano passava a reivindicar o controle direto da produção petrolífera.

No dia 21 de junho de 1951, Mossadeq explicou o sentido político da medida em discurso no qual relacionou o petróleo à independência nacional:

“Nossos longos anos de negociações com países estrangeiros (…) não produziram nenhum resultado até agora. Com as receitas do petróleo, poderíamos cumprir todo o nosso orçamento e combater a pobreza, as doenças e o atraso de nosso povo. Outra consideração importante é que, com a eliminação do poder da empresa britânica, também eliminaríamos a corrupção e a intriga, por meio das quais os assuntos internos de nosso país têm sido influenciados. Quando essa tutela tiver cessado, o Irã terá conquistado sua independência econômica e política. O Estado iraniano prefere assumir a produção de petróleo por conta própria.”

A declaração apontava a Anglo-Iranian Oil Company como instrumento da interferência britânica no Irã. Para Mossadeq, a nacionalização não era apenas uma medida econômica, mas a condição para que o país deixasse de ter seus assuntos internos submetidos aos interesses do imperialismo.

A nacionalização atingiu diretamente o Reino Unido. A empresa britânica controlava uma das principais fontes de petróleo usadas pelo imperialismo inglês. O controle do petróleo iraniano havia sido decisivo para a economia britânica e para sua marinha. A medida tomada pelo governo Mossadeq também serviu de exemplo para outros países atrasados que buscavam recuperar o controle sobre suas riquezas naturais.

Dois anos depois, em 1953, os serviços de inteligência dos Estados Unidos e do Reino Unido organizaram o golpe que derrubou Mossadeq e fortaleceu a ditadura do Xá Mohamed Reza Pahlavi. A derrubada do primeiro-ministro iraniano foi a resposta do imperialismo à nacionalização do petróleo e à tentativa do Irã de controlar sua principal riqueza.

O curso A história do Irã e da República Islâmica será ministrado por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO. As inscrições podem ser feitas pelo sítio unimarxista.org.br ou pelo telefone (11) 99741-0436.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.