A edição desta sexta-feira (19) do Plantão Irã, programa diário da Causa Operária TV (COTV) em parceria com o Diário Causa Operária (DCO), tratou do impasse em torno do acordo de cessar-fogo no Oriente Próximo. O programa analisou a situação no Estreito de Ormuz, a continuidade dos ataques de “Israel” contra o Líbano e a reação do Eixo da Resistência.
Victor Assis e Pedro Burlamaqui destacaram que, embora o Memorando de Entendimento entre Irã e Estados Unidos já tenha sido assinado eletronicamente, a cerimônia final, prevista para ocorrer na Suíça, foi adiada. Segundo o programa, o principal motivo é a recusa de “Israel” em interromper os bombardeios contra o Líbano, uma das condições centrais do acordo.
Pedro Burlamaqui lembrou que o Irã já começou a estabelecer novas regras para a passagem de embarcações pelo Estreito de Ormuz. Os navios precisam registrar previamente o pedido de passagem em um sistema centralizado, com 48 horas de antecedência. Para ele, a medida mostra que a República Islâmica saiu fortalecida da guerra.
“Na tela você vê uma parte do formulário que o Irã colocou para os navios conseguirem registrar a sua passagem, mostrando que o Irã tem controle total da região e já está estabelecendo um funcionamento padrão, uma burocracia para que quem queira passar possa passar, não tem crise nenhuma no que diz respeito a esse controle.”
Victor Assis afirmou que a principal derrota do imperialismo, nesse caso, é política. Segundo ele, o controle iraniano sobre uma das passagens mais importantes do comércio mundial de petróleo altera a situação de conjunto no Oriente Próximo.
“Acho que o maior problema é o Irã decretar que aquela região está sob controle dele, porque isso significa que se qualquer país decide fazer alguma sacanagem com o Irã, o Irã pode ir lá e barrar aquele país de passar pelo estreito. Esse que é o problema fundamental, isso sim é um problema muito grave para o imperialismo.”
O programa também destacou que “Israel” continuou atacando o sul do Líbano mesmo depois de a imprensa burguesa anunciar um cessar-fogo entre o regime sionista e o Hesbolá. Segundo informações citadas no programa, os bombardeios atingiram regiões como Shoukin, Maifadun, Jabal al-Hafi, al-Hayan e Nabatié. O ataque contra Nabatié ocorreu justamente no horário em que o cessar-fogo deveria entrar em vigor.
Para Assis, a atitude israelense revela uma crise dentro do próprio regime sionista, dividido entre setores que querem encerrar a guerra e o grupo ligado a Netaniahu, que insiste em manter as provocações.
“Ter atacado no exato momento é novamente aquela política de tentar se apresentar como no controle da situação. É ‘Israel’ meio que dizendo: ‘a gente pode romper com esse cessar-fogo na hora que a gente quiser’. Acho que esse tipo de recado que ‘Israel’ quer dar, mas é ridículo, ninguém cai mais, ninguém acredita mais. E se ele continuar com essa política, a diferença é que antes ele podia continuar com essa política impunemente. Se ele continuar agora, ele vai receber novas reações do Irã.”
Além do Irã, outros setores do Eixo da Resistência se manifestaram contra a agressão ao Líbano. O Iêmen, governado pelo Ansar Alá, renovou o aviso de que pode atacar “Israel” caso a ofensiva contra o povo libanês continue. O Hesbolá, por sua vez, manteve suas operações militares no sul do país.
No programa, Burlamaqui leu uma declaração do secretário-geral do Hesbolá, xeique Naim Qassem, que afirmou que a tentativa de destruir a resistência fracassou:
“Estamos atravessando a fase mais perigosa no Líbano. A conspiração executada contra nós hoje visa erradicar completamente a resistência e seu povo do país. O inimigo e os Estados Unidos recuaram do acordo de 27 de novembro após a queda da Síria, acreditando que a correlação de forças havia mudado. Tentaram um cerco abrangente na fronteira e nas finanças para bloquear armas e virar a base de apoio da resistência contra ela. As tentativas de fomentar a discórdia fracassaram graças à consciência do exército e da liderança. O inimigo não derrotou nossas convicções nem nossa firmeza. Suportar perdas imensas ainda é um preço menor que a rendição e a derrota. Fizemos uma escolha decisiva e jamais retornaremos à era anterior a 2 de março. O projeto de eliminar o Hesbolá fracassou.”
Segundo dados do Ministério da Saúde libanês citados no programa, 47 pessoas foram assassinadas por “Israel” nas últimas 24 horas, além de 97 feridos. Ao mesmo tempo, a resistência libanesa continuou combatendo o avanço israelense no sul. Uma operação atingiu um tanque sionista e matou quatro soldados israelenses, informação confirmada pelo próprio exército de “Israel”.





