Ramin Rezaeian rebateu perguntas políticas feitas por jornalistas após o empate do Irã com a Nova Zelândia, em Los Angeles, na segunda-feira (15). O defensor persa afirmou que problemas internos do país dizem respeito ao próprio povo iraniano e desviou a entrevista de volta ao futebol, após marcar um gol e dar uma assistência na estreia da seleção na Copa do Mundo. A pergunta havia sido feita após vaias ao hino nacional e protestos de monarquistas da diáspora iraniana nos Estados Unidos.
A coletiva ocorreu no pós-jogo de uma partida carregada de tensão política. O confronto com a Nova Zelândia terminou em 2 a 2, com Rezaeian como um dos principais nomes do Irã em campo. Ele marcou o primeiro gol iraniano e depois participou diretamente do lance que levou ao segundo empate. Ainda assim, parte das perguntas se concentrou nas vaias durante o hino e nas manifestações de sionistas presentes no estádio, e não no desempenho da equipe.
Rezaeian respondeu que estava ali para falar de futebol. Ao tratar da tentativa de transformar a entrevista em cobrança política, afirmou que, se havia algum problema entre os iranianos, isso era assunto deles, não dos jornalistas estrangeiros. O jogador manteve um tom firme, disse respeitar o repórter, mas afirmou que a questão seria resolvida entre os próprios iranianos. A frase circulou como resposta direta à imprensa imperialista que tentou usar a Copa para atacar o Irã.
O jogo foi disputado em uma região com grande comunidade iraniana fora do Irã. Antes e durante a partida, houve protestos, bandeiras monarquistas e vaias ao hino. Também houve apoio vocal à seleção em vários momentos do jogo, especialmente após os gols. A presença de símbolos políticos e as restrições impostas no estádio fizeram da partida uma vitrine das divisões existentes entre setores da diáspora, mas a reação de Rezaeian reforçou que a seleção não aceitaria ser intimidada.
A preparação do Irã para o Mundial também ocorreu sob pressão. Houve dificuldades com vistos e deslocamentos, além do ambiente hostil criado nos Estados Unidos. Mesmo assim, a equipe conseguiu reagir dentro de campo. O capitão Mehdi Taremi também destacou a importância de celebrar gols e levar alegria aos torcedores. A resposta de Rezaeian sintetizou o incômodo iraniano: a coletiva deveria tratar do jogo, mas parte da imprensa tentou subordinar a atuação esportiva a uma discussão de política externa.





