Gravações de câmeras corporais mostraram um policial militar dizendo que iria matar o eletricista Igor Eduardo Hyppolito Rodrigues antes de descer da viatura e atirar, em São Paulo, em divulgação do material na terça-feira (16).
Os registros contradizem a versão apresentada pelos agentes à Polícia Civil e mostram que o homem, descrito por familiares como autista, não aparece atacando os policiais no momento dos disparos. Igor tinha 45 anos, foi baleado no fim de abril e morreu após ser levado ao Hospital de Taipas.
As imagens envolvem o cabo Cauan Alencar Bastos e o soldado José Otávio Ribeiro. Antes de sair do veículo, o cabo anuncia que vai atirar. Em seguida, desce da viatura já disparando. Ao todo, apertou o gatilho seis vezes, enquanto o soldado efetuou mais um disparo sem sair do carro policial. Após os tiros, os dois se aproximaram do eletricista, que estava caído e agonizava no asfalto da Avenida Raimundo Pereira de Magalhães.
A ocorrência começou após uma discussão de trânsito. Os policiais estavam em um posto de combustíveis quando foram abordados por um motoboy, que relatou ter se envolvido em uma briga com Igor e afirmou que ele teria sacado uma faca. Em depoimento, os PMs disseram que a vítima teria se insurgido contra eles, e que os disparos foram feitos para impedir uma suposta agressão. As gravações, porém, mostram outro quadro: a decisão de atirar aparece antes de qualquer aproximação efetiva e com uma declaração assassina expressa pelo policial homicida.
Igor foi atingido ao menos duas vezes, entre as costelas e o quadril. O socorro começou ainda na rua, mas ele não resistiu. Familiares afirmaram que o eletricista tinha diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista desde a infância, fazia uso de medicamentos e trabalhava havia anos com pequenos reparos. Uma parente também disse que ele tinha transtorno do déficit de atenção com hiperatividade e epilepsia. Segundo pessoas próximas, Igor era comunicativo, participava dos encontros familiares e não tinha filhos.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que os dois PMs foram afastados das ruas por determinação judicial. O caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e pelo 18º Batalhão da Polícia Militar, com acompanhamento da Corregedoria. A Polícia Militar declarou que as imagens da ocorrência estão sendo analisadas para adoção de medidas cabíveis.
Este é apenas mais dentre milhares de ocorrências, muitas vezes tratadas como “casos isolados”, que demonstram que a polícia não está aí para proteger o trabalhador, mas para tratá-lo como inimigo.





