Futebol

Irã homenageia meninas assassinadas pelos EUA na Copa do Mundo

Torcida iraniana realizou ato por Minab em Los Angeles, enquanto seleção foi obrigada a deixar os Estados Unidos logo após empate com a Nova Zelândia

A estreia do Irã na Copa do Mundo de 2026, realizada nesta segunda-feira (15), em Los Angeles, foi marcada por protestos, manifestações nas arquibancadas e novas pressões dos Estados Unidos contra a delegação iraniana. Dentro de campo, a seleção empatou em 2 a 2 com a Nova Zelândia, em uma partida bastante disputada.

Antes da partida, um pequeno grupo de saudosistas da ditadura fascista de Reza Pahlavi, destruída pelo Revolução Islâmica de 1979, realizou uma encenação nas proximidades do estádio, carregando a reacionária bandeira do leão e do sol. A imprensa burguesa deu grande destaque a esse protesto, realizado em Los Angeles, cidade que concentra uma grande comunidade iraniana fora do Irã.

No entanto, durante a partida, houve grandes manifestações em defesa do Irã. Torcedores levantaram bandeiras iranianas e realizaram uma homenagem às 168 meninas assassinadas no bombardeio norte-americano contra a escola de Minab. Nas imagens exibidas durante a transmissão, era possível ver torcedores formando a palavra “Minab” e exibindo o número 168 nas arquibancadas.

Também apareceram bandeiras da Palestina e fotos de mártires mortos durante a agressão imperialista. O ato ocorreu em território norte-americano, no mesmo momento em que os Estados Unidos mantêm uma política de hostilidade contra o Irã e dificultam a presença da delegação e de torcedores iranianos no país.

Após o empate com a Nova Zelândia, a seleção iraniana foi informada de que deveria deixar imediatamente os Estados Unidos e retornar a Tijuana, no México, onde está hospedada durante a Copa. O capitão Mehdi Taremi afirmou que a situação prejudica a preparação da equipe.

“Após a partida contra a Nova Zelândia, tivemos que deixar Los Angeles imediatamente, e isso não é bom para o futebol, porque na Copa do Mundo é preciso se preparar bem para o próximo jogo. Essa situação coloca muita pressão sobre os jogadores e a comissão técnica. Não recebemos o apoio necessário e a Fifa pode e deve ajudar mais”, declarou Taremi, segundo o sítio oficial da Federação Iraniana de Futebol.

O técnico Amir Ghalenoei também afirmou que a equipe tem sido oprimida pelas tensões políticas em torno da Copa. Questionado sobre quem teria determinado a saída imediata dos Estados Unidos, Taremi disse que a ordem foi repassada pela Fifa, embora não soubesse informar a origem exata da decisão.

“Sou jogador e estou focado no futebol. Você deveria fazer essa pergunta ao presidente da federação ou ao nosso diretor de imprensa, que não estão aqui. Você deveria fazer essa pergunta à Fifa, não a nós”, afirmou o capitão.

A pressão contra o Irã não começou no dia da partida. A seleção inicialmente ficaria hospedada em território norte-americano, mas, com a intensificação da agressão imperialista contra o país, a delegação foi obrigada a permanecer no México e viajar aos Estados Unidos apenas nos dias de jogo.

Além disso, parte da delegação teve problemas com vistos. O presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, teve o visto negado e permaneceu no México. Após a partida contra a Nova Zelândia, o próprio Taremi e o auxiliar Saeid Elahoui enfrentaram atrasos para retornar a Tijuana. O meio-campista Mehdi Torabi também teve problemas, sob a alegação de que seu visto teria expirado após uma única entrada em território norte-americano.

Outro episódio ocorreu em 9 de junho, quando os Estados Unidos revogaram a cota de ingressos destinada à Federação Iraniana de Futebol. Cada federação participante da Copa recebe uma cota para revender entradas a seus torcedores, mas, no caso iraniano, essa possibilidade foi retirada às vésperas do torneio. A medida impediu que torcedores que planejavam sair do Irã para acompanhar a seleção utilizassem os ingressos da própria federação.

Dentro de campo, a Nova Zelândia abriu o placar com Elijah Just, aos sete minutos. O Irã empatou com Ramin Rezaeian, aos 32. No segundo tempo, Just voltou a marcar, aos 55 minutos, mas Mohammad Mohebi fez o segundo gol iraniano aos 64 minutos, garantindo o empate em 2 a 2.

O Irã volta a jogar no domingo (21), às 16 horas, novamente em Los Angeles, contra a Bélgica. A equipe ainda enfrenta o Egito, em Seattle, pela fase de grupos.

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