Parceria DCO-COTV

Plantão Irã: acordo expõe derrota de ‘Israel’

Programa analisou memorando de entendimento entre Irã e Estados Unidos e a crise aberta no regime sionista

A edição desta segunda-feira (15) do Plantão Irã, programa diário da Causa Operária TV (COTV), em parceria com o Diário Causa Operária (DCO), analisou o memorando de entendimento entre a República Islâmica do Irã e os Estados Unidos, negociado com mediação do Paquistão.

O programa contou com apresentação de Victor Assis e participação de Pedro Burlamaqui. O centro da análise foi a derrota imposta pelo Irã ao imperialismo e ao Estado de “Israel”, que tentou impedir até o último momento a consolidação do acordo.

Burlamaqui destacou que, segundo as informações divulgadas, o entendimento tem como objetivo encerrar a guerra e suspender imediatamente o bloqueio naval imposto pelos norte-americanos contra a República Islâmica. A assinatura formal do documento está prevista para sexta-feira, 19 de junho.

O acordo também inclui o Líbano, ponto considerado decisivo no programa. Segundo a agência iraniana Tasnim, uma cláusula foi incluída no texto para garantir a soberania e a integridade territorial libanesa, apesar da oposição de “Israel” e dos Estados Unidos.

Para Victor Assis, a reação negativa do Estado sionista mostra o conteúdo real do memorando.

“Eu acho bem interessante a frase do presidente iraniano, basicamente ele falou assim: se ‘Israel’ não gostou, nós gostamos. O que eu acho que é um critério muito concreto para você avaliar qual é o conteúdo de um determinado acordo. Não tem como negar que ‘Israel’ ficou se roendo todo por causa desse acordo. Tentou sabotar até o último instante, mandou recadinhos pela imprensa israelense de que suas autoridades estariam decepcionadas com Donald Trump. Eles ficaram muito irritados com o acordo de cessar-fogo, do que a gente pode concluir que o acordo de cessar-fogo é uma vitória do Irã e é uma desmoralização, é uma humilhação para o Estado de ‘Israel’.”

Assis também afirmou que os Estados Unidos não conseguiram derrotar militarmente o Irã. Segundo ele, se o imperialismo tivesse condições de neutralizar a República Islâmica, teria feito isso durante a guerra.

“Ficou demonstrado que, se os Estados Unidos tivessem efetivamente capacidade de neutralizar o Irã na guerra, eles teriam feito. Não ficariam nos discursos de Donald Trump. Eles teriam feito, efetivamente. Não fizeram porque não tinham.”

Líbano e Resistência

O Plantão Irã também tratou da comemoração do acordo no Líbano e da reação do Hesbolá, que saudou o memorando como uma grande conquista da Resistência. A organização afirmou que o entendimento é fruto da firmeza do povo iraniano e abre caminho para um cessar-fogo comum em todas as frentes da guerra de agressão.

Assis avaliou que a vitória também pertence ao povo libanês e ao Hesbolá, em oposição ao governo libanês, que atuou contra a própria população ao pressionar pelo desarmamento da Resistência.

“Com certeza é uma vitória da resistência libanesa. Uma derrota para o Estado de ‘Israel’ é uma derrota para o Estado libanês também. Não é que eles não participaram da luta. Eles participaram ativamente da luta, só que do lado de ‘Israel’, contra o próprio povo, contra o Hesbolá, que é a expressão da vontade revolucionária do povo libanês de se ver livre dos sionistas em seu território.”

Crise em ‘Israel’

Na parte final do programa, os comentaristas analisaram a crise aberta em “Israel”. Benjamin Netaniahu evitou criticar diretamente o acordo entre Estados Unidos e Irã, mas afirmou que a entidade sionista manterá sua liberdade de ação contra o Irã e contra o Hesbolá.

Ao mesmo tempo, setores da oposição e da própria coalizão governista passaram a responsabilizar Netaniahu pelo que chamaram de maior fracasso estratégico da história de “Israel”. Para Assis, a crise do regime sionista já vinha se acumulando, com protestos de rua, queda de popularidade do primeiro-ministro e divergências com Donald Trump.

“O tamanho da crise do regime sionista já estava bem evidente. A gente tinha tanta demonstração nas ruas, choque direto entre o aparato repressivo israelense e a população, sobretudo dos judeus ultraortodoxos, pesquisas de popularidade mostrando que a popularidade do primeiro-ministro vinha despencando. Havia sinais de crise por todos os lados.”

O programa também abordou a perseguição ao grupo Ação Palestina no Reino Unido e a condenação de 12 cidadãos do Barém a 10 anos de prisão sob denúncia de apoio ao Irã. Para os comentaristas, os dois casos mostram o avanço da repressão contra os setores que apoiam a luta dos povos oprimidos contra o imperialismo.

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