Na tradicional Análise Política da Semana, transmitida ao vivo pela Causa Operária TV (COTV) neste sábado (13), Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), classificou de fenômeno sui generis do cenário brasileiro: enquanto povos oprimidos ao redor do mundo, como no Líbano e na Índia, enxergam o futebol brasileiro e a figura de Neymar como símbolos de resistência, a imprensa burguesa nacional e setores da esquerda torcem abertamente contra o país.
Para o dirigente, que também é pré-candidato à presidência da República, o receio da esquerda de que a direita capitalize politicamente uma eventual vitória no torneio gera uma “burrada estratégica”.
“A esquerda brasileira, com a sua inteligência inacreditável, se dedica a hostilizar a seleção brasileira. O Neymar é um dos jogadores que têm as melhores estatísticas na Copa, é o maior artilheiro do Brasil. Não torcer pela seleção brasileira é absurdo”, criticou Pimenta.
Ele lembrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, demonstrando maior consciência que seus correligionários, vestiu a camisa da Seleção e cobrou garra do elenco, recusando-se a entrar no “microclima” isolado da esquerda pequeno-burguesa.
Outro ponto central da exposição foi a chamada Lei Felca, aprovada recentemente no Brasil sob o pretexto de proteger os jovens do uso excessivo de telas e celulares, uma tendência que Pimenta pontuou estar se alastrando por toda a Europa. Segundo Pimenta, governos como o da Suécia têm aconselhado os pais a vetarem o uso de smartphones para menores de 13 anos, justificando a medida com supostos danos cognitivos e o avanço da criminalidade na Internet.
Pimenta, contudo, rotulou essas justificativas como “terrorismo psicológico” e defendeu que o livre acesso à informação é o verdadeiro motor do desenvolvimento intelectual infantil.
“Essa política não apenas é uma política de censura, mas a gente deve dizer claramente que ela é uma política que contraria a tendência das pessoas a se desenvolverem. A esquerda pensa que essas medidas são uma política de esquerda, na verdade são uma política do imperialismo”, alertou.
O presidente do PCO denunciou a hipocrisia do Congresso Nacional que, ao mesmo tempo em que aprova leis sob a justificativa de proteger as crianças das telas, avança na redução da maioridade penal para 16 anos. Pimenta classificou a iniciativa como “extremamente repressiva” e denunciou a capitulação da esquerda, que tem cedido ao discurso moralista da extrema direita.
Para ilustrar que o crime é um subproduto das condições sociais e do desemprego, e não de uma “propensão maligna” intrínseca aos pobres, Rui Costa Pimenta relembrou uma vivência pessoal da década de 1980 em Diadema, no ABC paulista. Ele narrou a trajetória de um jovem operário demitido e engajado nas greves da época que, asfixiado pela miséria e pela desmoralização, acabou anos mais tarde liderando uma quadrilha de assalto a bancos.
A falência ideológica da esquerda se dá quando ela endossa esse discurso, tornando-se cúmplice da violência policial que executa a população pobre nas periferias. Pimenta criticou duramente as declarações recentes do governo federal que classificaram o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas, argumentando que isso dá “carta branca” para abusos em comunidades como o Complexo do Alemão.
A crise do movimento identitário foi debatida a partir do pedido de indiciamento do professor da USP Alysson Mascaro pelo Ministério Público. Acusado de assédio e estupro de homens adultos, Mascaro foi defendido por Pimenta, que classificou as acusações como uma “fraude judicial” operada pelo identitarismo para destruir a reputação de opositores políticos.
Pimenta argumentou indiretamente que o Ministério Público costuma empilhar acusações absurdas — política que, segundo ele, também foi usada contra os manifestantes do 8 de janeiro — para inflar o impacto de denúncias que, isoladas, seriam irrelevantes, como relatos de abraços ou tapas no quadril. Ele relembrou que a denúncia original partiu do portal Intercept, veículo que sublinhou ser de propriedade de um bilionário norte-americano alinhado ao Partido Democrata e ao sionismo, configurando uma clara “perseguição política”.
A atuação do poder judiciário brasileiro sofreu duras críticas. Pimenta repercutiu a decisão da Justiça da Itália que negou a extradição da deputada Carla Zambelli, sob o argumento de que o STF atua simultaneamente como juiz e vítima no processo.
“Os italianos disseram basicamente o seguinte: não dá para levar a sério um processo onde o cidadão é juiz e parte ao mesmo tempo. O que eles falaram literalmente foi que há problemas macroscópicos de cerceamento do direito de defesa”, destacou o presidente do PCO, classificando o episódio como um “tapa na cara” do ministro Alexandre de Moraes.
Em contrapartida, Pimenta apontou a seletividade da imprensa e dos tribunais. Ele citou uma matéria da Folha de S.Paulo que cobrava celeridade no processo de cassação do PCO por falhas na prestação de contas, enquanto escândalos de corrupção massiva envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e mesadas de R$500 mil a senadores seguem sem punição rigorosa. O dirigente ironizou ainda o uísque de R$600 mil degustado pelo procurador-geral Paulo Gonet em Londres a convite de Vorcaro e criticou a 12ª edição do evento de Gilmar Mendes em Portugal, apelidado por jornais internacionais como o “maior encontro de lobby do mundo”.
No bloco final, a política internacional ganhou destaque com a vinda do acadêmico Norman Finkelstein ao Brasil para lançar o livro A Indústria do Holocausto. Finkelstein declarou que os massacres promovidos por “Israel” em Gaza estão reascendendo o antissemitismo global, fala que gerou forte reação da Confederação Israelita do Brasil (Conib). Pimenta defendeu o acadêmico e acusou a Conib de usar o rótulo de “estereótipo antissemita” de forma cínica para blindar o Estado de “Israel” de críticas puramente políticas.
Por fim, o analista utilizou a repercussão da morte da quadrinista iraniana Marjane Satrapi, autora de Persépolis, para demonstrar a infiltração ideológica na esquerda brasileira. Pimenta apontou que portais de esquerda publicaram artigos elogiando Satrapi como um “ícone da rebeldia”, ignorando o fato de ela ser apadrinhada pelo filósofo de direita Bernard-Henri Lévy e ter dado declarações favoráveis ao enfraquecimento do Hamas e do Irã.




