O cineasta “israelense” Nadav Lapid retirou sua participação do Festival Internacional de Cinema de Marselha, na França, após pressão de diretores favoráveis ao boicote cultural a “Israel”. A decisão foi anunciada antes do evento marcado para 7 a 12 de julho e ocorreu depois que cerca de dez cineastas retiraram seus filmes da seleção em protesto contra a presença de Lapid no festival.
Lapid havia sido convidado inicialmente para integrar o júri do festival. A direção do evento afirmou que o convite foi feito por sua trajetória cinematográfica, mas passou a receber cobranças para desconvidá-lo. Diante da escalada da pressão, foi cogitada uma alternativa em que o cineasta apenas apresentaria seu primeiro longa, “Policeman”, de 2011, seguido de debate e sessão de autógrafos. A solução também não conteve a crise.
A controvérsia se agravou depois da divulgação da seleção do festival e da mobilização de artistas que não aceitavam dividir o evento com um cineasta “israelense”. A onda de críticas veio devido ao financiamento do filme “Yes”, de 2025, pelo Fundo de Cinema de “Israel”, entidade vinculada ao Estado sionista. Lapid tenta se defender dizendo que critica Netaniahu, mas essa suposta crítica é apenas uma forma de continuar apoiando o genocídio palestino, tentando se sujar menos no processo.
O cineasta decidiu retirar-se para não colocar a organização em situação ainda mais difícil. Ele também afirmou que a campanha contra sua presença mostra um ambiente de intimidação sobre instituições culturais, que passam a evitar filmes e convidados por medo de polêmica. A afirmação cínica ignora a pressão muito mais agressiva do lobby que apoia o cineasta contra quem realmente critica o sionismo, com pessoas sendo presas em diversas partes do mundo por “terrorismo” pelo simples fato de não achar certo que o povo palestino sofra um genocídio. Isso acontece mesmo com aqueles que renegam o apoio à resistência palestina
A diretora franco-argelina Narimane Mari esteve entre as artistas que defenderam a retirada de filmes. A posição apresentada por esse setor foi a de que o boicote não se dirigia a uma pessoa específica, mas a um modelo cultural e político sustentado enquanto prossegue a guerra em Gaza. Outros profissionais do cinema, por outro lado, divulgaram texto em defesa de Lapid sob o argumento de que cinema não é embaixada e que impedir sua participação não substituiria sanções políticas reais contra “Israel”. Esses profissionais desconsideram o apoio direto do sionismo ao cineasta que motivou o boicote.
Embora medidas de boicote sejam, na prática, pouco efetivas contra o imperialismo e contra o sionismo, a retirada de Lapid é sinal de que o assassinato de dezenas de milhares de mulheres e crianças é muito mal-visto e cria situações constrangedoras, inclusive em espaços tradicionalmente controlados pela grande burguesia internacional, que apoia o genocídio palestino. Festivais, diretores, produtores e distribuidores passaram a ser pressionados a assumir posições públicas sobre boicote, financiamento e participação de artistas “israelenses”.


