A Federação de Futebol do Irã pediu autorização à Federação Internacional de Futebol (FIFA) para que os jogadores da seleção iraniana usem braceletes pretos na partida contra o Egito, marcada para Seattle em 27 de junho. O pedido está ligado à Ashura, data religiosa de luto para muçulmanos xiitas, que relembra o martírio do imã Hussein e de seus companheiros no século VII. A federação iraniana afirmou que os braceletes seriam um sinal de respeito e espera aval da entidade mundial do futebol.
A partida entre Irã e Egito está prevista para o período imediatamente posterior à Ashura. A data é observada por muçulmanos xiitas em vários países, com procissões, cerimônias religiosas e expressões públicas de luto. Para a delegação iraniana, o uso de braceletes pretos seria uma manifestação simbólica compatível com a ocasião, sem alterar regras esportivas nem interferir no andamento da partida.
O pedido ocorre em meio a polêmicas relacionadas a um chamado evento do orgulho que o país-sede pretende associar à partida entre Irã e Egito. Em dezembro, o ministro dos Esportes do Irã, Ahmad Doniamali, havia confirmado protesto formal à FIFA contra informações de que os capitães das duas seleções seriam obrigados a usar braceletes ligados a grupos LGBT durante o confronto.
Irã e Egito rejeitaram essa exigência por considerá-la incompatível com seus valores religiosos e culturais. As duas federações coordenaram ação conjunta contra a imposição, defendendo que a FIFA respeite as tradições dos países participantes. A solicitação iraniana por braceletes pretos se insere nesse quadro mais amplo de disputa sobre símbolos usados em campo durante a Copa do Mundo.
O caso coloca a FIFA diante de um problema político e religioso. A entidade costuma controlar rigorosamente uniformes, faixas, braçadeiras e mensagens exibidas por jogadores durante competições oficiais. Ao mesmo tempo, a Copa do Mundo reúne seleções de países com tradições distintas, e símbolos de luto religioso podem ter peso social importante para atletas e torcedores.
A federação iraniana sustenta que os braceletes pretos não têm caráter ofensivo nem partidário. A intenção é marcar a Ashura como dia de memória e luto. A seleção iraniana já utilizou símbolos semelhantes em outras ocasiões, como quando jogadores vestiram braceletes pretos e seguraram mochilas escolares em homenagem a crianças de Minab antes de amistoso contra a Nigéria em março de 2026.
A decisão da FIFA será observada também por Egito, Irã e demais países que acompanham a disputa sobre símbolos culturais no torneio. Caso autorize o uso, a entidade reconhecerá a especificidade religiosa da data. Caso negue, poderá ampliar a insatisfação de federações que acusam a organização de impor mensagens alheias às tradições nacionais.
O pedido do Irã, portanto, não trata apenas de um detalhe do uniforme. Ele envolve o direito de jogadores expressarem luto por uma data central de sua religião, em uma partida de grande visibilidade internacional, e ocorre em paralelo à contestação de símbolos que as seleções iraniana e egípcia consideraram inadequados para seus valores.




