O Irã respondeu na madrugada desta quarta-feira (10) a uma nova agressão militar dos Estados Unidos contra seu território, lançando ataques contra instalações militares norte-americanas no Barém e na Jordânia. A operação ocorreu após bombardeios dos EUA contra a província iraniana de Hormozgan, realizados sob a alegação, não comprovada, de que Teerã teria derrubado um helicóptero Apache próximo ao Estreito de Ormuz.
Segundo a radiodifusão estatal iraniana, os ataques norte-americanos atingiram a ilha de Quêixome e áreas dos condados de Jask e Sirik. Em Sirik, dois reservatórios de água foram destruídos no distrito de Bemani, interrompendo temporariamente o abastecimento local. Uma torre de telecomunicações também foi danificada.
A resposta iraniana ocorreu poucas horas depois. O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) informou ter realizado uma operação de represália contra alvos militares norte-americanos em diversos países da região. Segundo o comunicado, drones atingiram o quartel-general da Quinta Frota dos Estados Unidos no Barém, enquanto mísseis foram lançados contra a base aérea de al-Azraq, na Jordânia.
Um vídeo de uma câmera de segurança no Barém mostra o momento em que a Quinta Frota norte-americana foi atingida pelo Irã:
De acordo com o CGRI, quatro alvos principais foram atingidos em al-Azraq, incluindo abrigos de aeronaves F-35 e o centro de comando e controle da instalação. Uma fonte militar iraniana afirmou que foram empregados mísseis de longo alcance movidos a combustível sólido.
O exército iraniano também anunciou ataques com drones contra bases norte-americanas e sistemas de radar ligados à Quinta Frota. Segundo o Comando Central Catém al-Anbiá, responsável pela coordenação das operações militares iranianas, ao menos 21 alvos em bases aéreas e navais dos Estados Unidos foram atingidos durante a operação.
Além disso, a agência iraniana Tasnim informou que as defesas aéreas do país derrubaram um drone norte-americano MQ-9 sobre a cidade de Jam, na província de Buxer. O incidente ocorreu durante a nova rodada de confrontos no Golfo Pérsico.
Após os ataques iranianos, bases militares dos Estados Unidos no Cuaite, Barém, Emirados Árabes Unidos e Catar foram colocadas em estado de alerta máximo. Fontes locais relataram ainda novos ataques contra posições norte-americanas no Barém e no Cuaite.
Apache caiu perto do Estreito de Ormuz
O episódio utilizado pelos Estados Unidos como justificativa para a agressão ocorreu na segunda-feira (8), quando um helicóptero de ataque Apache caiu próximo ao Estreito de Ormuz. A informação foi divulgada pelo jornal norte-americano The New York Times.
Os dois tripulantes sobreviveram e foram resgatados. As causas da queda permanecem indefinidas. Autoridades norte-americanas investigam diferentes hipóteses, incluindo falha mecânica, acidente operacional ou eventual ação hostil. O governo iraniano negou qualquer envolvimento no incidente.
Mesmo sem a conclusão das investigações, Donald Trump declarou que os Estados Unidos deveriam responder ao ocorrido e responsabilizou diretamente o Irã pela queda da aeronave. Pouco depois, o Comando Central dos EUA anunciou o início dos ataques contra Hormozgan.
Irã promete ampliar resposta se houver novos ataques
Após os bombardeios norte-americanos, o chanceler iraniano Abbas Araghchi afirmou que a agressão não ficaria sem resposta.
“Apesar de suas derrotas no campo de batalha, os EUA decidiram testar nossa determinação”, declarou. “Nossas Forças Armadas não deixarão nenhum ataque ou ameaça sem resposta”.
Em outra mensagem, Araghchi advertiu as forças estrangeiras presentes na região: “saiam da nossa região se querem estar seguros”.
O Comando Central Catém al-Anbiá classificou a operação iraniana como uma “poderosa investida” de represália e advertiu que qualquer nova agressão norte-americana resultará em ataques ainda mais amplos contra alvos previamente selecionados.
Escalada regional aumenta tensão no Golfo
Os acontecimentos ocorrem em meio ao agravamento da crise regional após os bombardeios de “Israel” contra Danié, nos subúrbios ao sul de Beirute. O Irã denunciou os ataques israelenses ao Líbano como uma violação da trégua regional e realizou operações de represália contra alvos israelenses entre domingo (7) e segunda-feira (8).
Para Teerã, a trégua estabelecida após a guerra de agressão conduzida por Estados Unidos e “Israel” contra o Irã deve ser aplicada de forma integral. Segundo a posição iraniana, ataques contra o Líbano ou contra forças da resistência representam uma violação do acordo como um todo.





