Mais de 100 artistas e curadores ampliaram, na semana passada, o boicote contra o pavilhão de “Israel” na Bienal de Arte de Veneza. Eles ameaçam recorrer à Justiça para retirar seus nomes da concorrência aos prêmios da exposição. A iniciativa, impulsionada pela Art Not Genocide Alliance, denuncia o uso da arte para encobrir os crimes do sionismo em Gaza e no Líbano, enquanto a direção da Bienal mantém o pavilhão aberto.
A campanha contra a participação de “Israel” ganhou força durante a 61ª Exposição Internacional de Arte de Veneza. Artistas ligados à Art Not Genocide Alliance (ANGA), coalizão de trabalhadores da arte, já haviam organizado atos no período de abertura da mostra. Em 8 de maio, manifestantes marcharam em direção ao espaço de “Israel” e foram agredidos pela polícia italiana.
A pressão chegou também aos prêmios da Bienal. O júri internacional de cinco membros, responsável pelo Leão de Ouro de melhor artista e de melhor pavilhão nacional, anunciou que não consideraria países cujos dirigentes são alvo de processos no Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade. A decisão atingia “Israel” e a Rússia. Diante de ameaça judicial do artista Belu-Simion Fainaru, representante do pavilhão israelense, os cinco jurados renunciaram.
A direção da Bienal substituiu os prêmios do júri por uma votação popular chamada Visitor Lions Awards. É esse prêmio alternativo que artistas próximos à ANGA passaram a rejeitar, buscando impedir que seus nomes sejam usados para dar aparência de normalidade ao evento enquanto o pavilhão de “Israel” permanece aberto. A palavra de ordem distribuída por manifestantes denunciava o espaço como “pavilhão do genocídio”.


