Manifestantes marcharam pelo centro de Budapeste, na Hungria, na sexta-feira (5), em protesto contra o primeiro-ministro Peter Magyar e o chamado Pacto de Migração da União Europeia. O ato denunciou o governo húngaro por um acordo com a Comissão Europeia que pode liberar 16,4 bilhões de euros antes bloqueados pelo bloco europeu.
Durante o protesto, os participantes gritaram “traidor” contra Magyar. Quando o primeiro-ministro apareceu na sacada da sede de seu partido, o Tisza, segurando uma bandeira da Hungria, a multidão vaiou e gritou “Tisza sujo”, exigindo sua renúncia. Magyar afirmou depois que cerca de mil pessoas participaram da manifestação. Veja:
Os manifestantes denunciam que o governo aceitou secretamente a aplicação do pacto migratório da União Europeia em troca da liberação dos recursos. A suspeita cresceu depois que Magyar e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciaram, em 29 de maio, um acordo político para destravar os 16,4 bilhões de euros.
O dinheiro estava bloqueado desde 2022, quando a Comissão Europeia denunciou o então primeiro-ministro Viktor Orbán por corrupção e violações ao chamado “Estado de Direito”. Orbán, que se opôs diversas vezes às políticas da União Europeia sobre migração e envio de recursos à Ucrânia, denunciou a medida como chantagem política.
Uma das consequências do acordo seria a construção de um centro de trânsito para imigrantes perto da fronteira sul da Hungria, com capacidade para receber entre oito mil e 10 mil pessoas. O jornal húngaro Hungary Today afirmou que uma das condições ligadas à liberação dos recursos seria a reversão da oposição mantida pelo governo de Orbán ao pacto migratório.
Magyar declarou em diferentes ocasiões que a Hungria “não aceitará nenhum pacto ou mecanismo de alocação” sobre asilo e migração. No entanto, jornais húngaros apontaram que o primeiro-ministro permaneceu praticamente em silêncio sobre o tema nas últimas semanas.
Após o protesto, Magyar atacou os manifestantes em publicação em uma rede social, chamando-os de “cidadãos frenéticos, inarticulados e gritantes”. Segundo ele, os participantes do ato estariam, na prática, protestando contra recursos da União Europeia destinados à Hungria.
O Pacto de Migração da União Europeia cria uma estrutura comum para procedimentos de migração e asilo. A medida estabelece o princípio da chamada “solidariedade obrigatória”, pelo qual cada país-membro deve aceitar determinado número de imigrantes, oferecer apoio operacional ou pagar 20 mil euros por pessoa recusada.
A medida provocou oposição em vários países do bloco. Polônia, República Checa e Eslováquia também rejeitaram o princípio de “solidariedade” imposto pela União Europeia. A crise migratória no continente europeu se intensificou após as guerras imperialistas na Líbia e na Síria e, mais recentemente, com a escalada da guerra na Ucrânia, em 2022, que provocou a chegada de milhões de pessoas ao bloco europeu.



