Um drone marítimo ucraniano explodiu na manhã desta sexta-feira (5) no porto de Constança, na Romênia. Outros três detonaram pouco depois, dois ao largo da costa e um fora da área portuária, levando as autoridades romenas a ordenar a evacuação preventiva de parte da região costeira. Veja:
De acordo com comunicado do governo romeno, a Guarda Costeira foi informada por volta das 6h20 pela Agência Romena de Salvamento da Vida Humana no Mar (ARSVOM) sobre a presença de um objeto flutuante no berço 78 do porto de Constança. O objeto, identificado como um possível drone, estava preso a uma barreira antipoluição a alguns metros da área do terminal de petróleo:
O Ministério da Defesa Nacional da Romênia e o Serviço Romeno de Inteligência foram acionados. A Autoridade Naval Romena impôs restrições à navegação no porto, enquanto equipes da Guarda Costeira, da Defesa, da Polícia de Fronteira e dos serviços de emergência estabeleceram um perímetro de segurança.
Segundo o governo romeno, a Defesa da Romênia entrou em contato com autoridades ucranianas logo após a identificação do drone. Quieve confirmou que havia perdido o controle operacional de quatro drones marítimos. Os outros três aparelhos explodiram em seguida, dois em alto-mar e um nas proximidades da área portuária.
Às 10h25, as autoridades detectaram um sinal de autodestruição. Três minutos depois, às 10h28, o drone explodiu. O comunicado romeno afirmou que a explosão “não foi controlada”. Não houve vítimas, pois a área já havia sido isolada e parte do pessoal envolvido na operação tinha sido retirada.
Às 10h29, foi ativado o Plano Vermelho de Intervenção para o município de Constança. Entre 10h32 e 11h30, o serviço nacional de emergência recebeu seis chamadas relatando explosões ou pedindo informações. Às 10h45, um navio comercial localizado a 145 quilômetros a leste de Constança informou ter observado duas fortes explosões a cerca de 18 quilômetros de distância.
O governo romeno também informou que, às 11h21, foi emitido um alerta ordenando a evacuação da área em um raio de um quilômetro da seção costeira do porto de Constança. O segundo alerta, emitido às 11h29, atingiu os condados de Constança e Tulcea, recomendando que a população evitasse áreas costeiras e informasse as autoridades sobre qualquer objeto suspeito.
As medidas preventivas foram estendidas às 13h50 para o calçadão do Cassino de Constança, a região da praia de Costinești, Vama Veche, Mamaia e estabelecimentos ao longo da costa. O Plano Vermelho de Intervenção foi desativado às 14h35, depois da confirmação de que os quatro drones ucranianos haviam explodido e não representavam mais ameaça imediata.
O Ministério da Defesa da Romênia afirmou que os aparelhos não pertenciam às Forças Armadas romenas e não estavam ligados a exercícios recentes no mar Negro. Segundo a pasta, os drones eram “do tipo usado na guerra na Ucrânia”.
O primeiro aparelho se assemelhava ao drone marítimo ucraniano Magura V5, utilizado pela inteligência militar de Quieve. Esse tipo de embarcação não tripulada pode transportar centenas de quilos de explosivos, percorrer longas distâncias e operar em grupos.
A operação de emergência mobilizou 80 integrantes do Inspetorado de Situações de Emergência de Constança, oito caminhões de combate a incêndio com água e espuma, 11 equipes médicas do SMURD, uma unidade de resposta a ameaças químicas, biológicas, radiológicas e nucleares, uma unidade de terapia intensiva móvel, além de gendarmes, policiais, agentes da Polícia de Fronteira e três embarcações de patrulha.
A embaixada da Rússia na Romênia declarou que os aparelhos eram “veículos marítimos não tripulados ucranianos, usados pelo regime de Quieve para cometer atos terroristas contra navios civis e criar ameaças à segurança da navegação no mar Negro”. A representação diplomática afirmou ainda que “qualquer tentativa de associar direta ou indiretamente esses drones à Rússia e atribuir responsabilidade pelo incidente não tem qualquer base”.
Apesar da confirmação ucraniana de que os drones pertenciam à Marinha da Ucrânia, o presidente romeno, Nicușor Dan, responsabilizou a Rússia pelo episódio. Ele declarou que o caso seria uma “consequência direta” da operação militar russa contra a Ucrânia.
Autoridades russas vêm afirmando nas últimas semanas que países imperialistas ignoram ou minimizam episódios desse tipo quando é confirmada a responsabilidade ucraniana. O governo russo também tem denunciado a possibilidade de Quieve organizar provocações fora de suas fronteiras para forçar uma confrontação direta entre a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e a Rússia.





