XII Congresso do PCO

Izadora Dias: Natália Pimenta é exemplo para as mulheres

Coordenadora do Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo destacou a atuação política e organizativa de Natália Pimenta

A coordenadora do Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo e pré-candidata ao governo de São Paulo, Izadora Dias, discursou no ato de abertura do XII Congresso Nacional do Partido da Causa Operária (PCO), realizado na última quinta-feira (4), no Auditório Paraíso, em São Paulo. O Congresso recebeu o nome de Congresso Natália Pimenta, em homenagem à militante do Partido que faleceu em novembro de 2025.

Em sua fala, Izadora destacou a importância política de Natália Pimenta para o PCO, para o movimento de mulheres e para o movimento operário. Para ela, a homenagem expressa o papel desempenhado por Natália na organização partidária e na formação de militantes.

“Eu poderia falar muitas coisas pessoalmente sobre a Natália, que eu acho que representa muito bem ter esse nome nesse atual Congresso do Partido da Causa Operária. Mas eu gostaria de destacar a importância política da Natália, não só para o Partido da Causa Operária, mas para o movimento das mulheres e para o movimento operário no geral. Eu não perdi só uma amiga, mas a causa operária perdeu uma mente organizadora, teórica, que infelizmente partiu muito cedo”, afirmou.

Izadora relatou que, desde que começou a atuar na Secretaria de Organização do PCO, foi coordenada por Natália. Segundo a dirigente do Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo, essa convivência foi decisiva para sua formação política e organizativa dentro do Partido.

“Eu, desde que comecei na Secretaria de Organização do Partido da Causa Operária, fui coordenada pela Natália e aprendi muitas coisas com ela. Ser mais paciente, ser mais calma. Mas uma das coisas mais marcantes e que inclusive foi uma marca muito forte que ela deixou em mim, que expressa esse espírito militante e revolucionário da Natália, é a tenacidade para enfrentar os problemas”, disse.

A dirigente lembrou que essa característica se manifestou também durante o período em que Natália enfrentou a doença. Mesmo internada, segundo Izadora, a militante mantinha a confiança e dava força aos companheiros que a acompanhavam.

“Tanto que, na sua luta contra a doença, nos dias de internação, a Natália era muito confiante. Apesar de toda a situação, a gente chegava no hospital para acompanhá-la e era ela que nos dava força. E nos problemas, no dia a dia, no enfrentamento dos problemas no Partido, ela apresentava essa força que, nesses últimos meses de vida dela, se expressou como uma característica dela, mas que aparecia sempre no dia a dia em relação a enfrentar os problemas”, declarou.

Izadora também destacou o papel de Natália na organização cotidiana do Partido. Segundo ela, Natália tratava os problemas políticos e organizativos com método, calma e confiança, sempre apontando soluções práticas para as dificuldades enfrentadas pela militância.

“Eu entrei no Partido já em um momento melhor em relação ao crescimento e à organização, mas eu sei, pelas conversas, pelas nossas reuniões e pelo dia a dia, que a Natália citava os momentos de dificuldade no sentido de dizer: ‘era assim, agora é muito melhor e vai ser muito melhor ainda. É trabalhar, é organizar’”, afirmou.

Outro ponto destacado por Izadora foi a preocupação de Natália com as pessoas que se aproximavam do Partido. Segundo ela, mesmo quando trabalhava com listas, planilhas e relatórios, Natália não tratava militantes e simpatizantes como números, mas como pessoas concretas, com dificuldades e necessidades próprias.

“Acho que uma coisa que é muito importante, entre tantas coisas que a Natália deixou como legado, é essa preocupação com as pessoas. Ela tinha muita preocupação com as pessoas que se aproximavam do Partido, o que acontecia com elas, se havia algum problema. Porque, apesar de ela trabalhar com muitos números, fazer planilhas e relatórios, para ela aquilo não era um número. Eram pessoas, pessoas que ela nos orientava sobre como tratar, como resolver os problemas”, declarou.

Izadora afirmou que a classe operária perdeu uma liderança que teria papel importante em momentos mais difíceis da luta política. Ao mesmo tempo, destacou que o Partido deve levar adiante os métodos de organização iniciados e desenvolvidos por Natália.

“Quando eu digo que a classe operária perdeu uma excelente liderança, é porque ela teria condições, em momentos futuros mais difíceis, de nos ajudar a encontrar mais força para enfrentar esses problemas. Mas é o legado dela. É o que eu quero levar para sempre quando eu falar da Natália, e que o nosso Partido continua levando adiante, não só os processos organizativos que ela iniciou, que ela atuou desde muito jovem para estabelecer, mas esse cuidado com as pessoas, essa preocupação”, disse.

A dirigente do Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo apresentou Natália como exemplo para as mulheres que enfrentam dificuldades para atuar politicamente. Segundo Izadora, Natália começou a militar muito jovem e seguiu atuando no Partido até o fim da vida.

“A Natália era, além de uma excelente militante, uma mulher muito culta, muito dedicada. Ela era mãe. Nisso eu gostaria de destacar como a Natália é um exemplo para as mulheres. Porque ela começou a militar muito nova, com 12, 14 anos. E desde que iniciou a militância, até o último dia da vida dela, ela foi militante. Inclusive, ela queria saber coisas do Partido, questões da luta na Palestina, do que estava acontecendo”, afirmou.

Izadora lembrou que Natália foi mãe de duas crianças, casou-se e, mesmo assim, manteve sua vida militante dedicada ao Partido. Para a dirigente, essa trajetória deve servir de exemplo para as mulheres que participam da luta política.

“Ela foi mãe de duas crianças, casou e mesmo assim levou adiante uma vida militante e dedicada ao Partido. As mulheres que têm inúmeras dificuldades para serem militantes devem olhar para uma figura como a Natália e se espelhar nela, na sua força para superar os problemas e na sua dedicação em ser uma mulher importante para o movimento operário”, declarou.

Ao final, Izadora convocou as mulheres presentes no Congresso e as integrantes do Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo a se inspirarem na trajetória de Natália Pimenta.

“Eu chamo todas as mulheres que estão aqui, as mulheres do Coletivo, que se espelhem na Natália e levem adiante toda essa luta e levem ela como exemplo para a militância e para a vida”, concluiu.

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