Universidades paulistas

Docentes da USP aderem a greve e exigem reajuste salarial

Categoria cobra reabertura de negociações e defesa da permanência estudantil. Os docentes também exigem aumento do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE)

Docentes da Universidade de São Paulo (USP) aderiram à greve em assembleias simultâneas realizadas nas unidades, na segunda-feira (25), e passaram a exigir reajuste salarial de 7,52%. A paralisação ampliou a greve nas universidades estaduais paulistas e aumentou a pressão sobre o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp). A categoria também cobra reabertura de negociações e ampliação dos auxílios de permanência estudantil.

A decisão ocorre em meio ao impasse entre o Cruesp e o Fórum das Seis, que reúne entidades da USP, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e do Centro Paula Souza. O reajuste reivindicado corresponde ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 4,39%, somado a 3% de recomposição das perdas acumuladas desde maio de 2012.

Os docentes também exigem aumento do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), garantia de que estudantes grevistas não sejam punidos ou jubilados e apuração das responsabilidades pela desocupação violenta da Reitoria da USP pela Polícia Militar, ocorrida na madrugada de 10 de maio. A greve docente se soma à greve estudantil, que já passa de 40 dias.

A permanência estudantil é um dos pontos da paralisação. Os estudantes reivindicam aumento de 100% no auxílio permanência e defendem que o valor chegue ao salário mínimo paulista, em torno de R$1.800,00. Em reunião de negociação, apresentaram proposta intermediária para que o auxílio integral subisse para R$1.096,00, mas a universidade não aceitou. A recusa levou à ocupação da Reitoria, iniciada em 7 de maio.

A assembleia docente também aprovou vigília durante a reunião do Conselho Universitário da USP, na terça-feira (26), para pressionar pela retirada da proposta de reajuste de 3,47% apresentada pela Reitoria. O índice foi considerado insuficiente pela categoria por ficar abaixo da reivindicação do Fórum das Seis. A proposta foi derrubada no Conselho Universitário.

Na Unicamp, docentes já estavam em greve desde 18 de maio. O Comando de Greve da Associação de Docentes da Unicamp organiza atividades com estudantes e servidores. Na Unesp, docentes de oito unidades aprovaram greve, incluindo Bauru, Marília, Araraquara, Franca, Rio Preto, Rio Claro, Assis e Guaratinguetá. Servidores técnico-administrativos de várias unidades também aderiram.

O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) avalia que a greve conjunta de docentes, estudantes e servidores aumenta a pressão sobre o Cruesp e amplia a discussão sobre o financiamento das universidades estaduais paulistas.

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