A Duma de Estado da Rússia aprovou legislação para ampliar a defesa contra drones na Rússia, na quinta-feira (28), após ataques ucranianos contra civis e infraestrutura. O projeto autoriza equipes armadas do Banco da Rússia e do Sberbank a neutralizar veículos não tripulados, mas ainda precisa passar pelo Conselho da Federação e por Vladimir Putin.
A Rússia prepara um reforço robusto de sua defesa antidrone por meio de mudanças legais e operacionais. A proposta aprovada pela Duma, câmara baixa do Parlamento, permite que equipes de transporte blindado e coleta de valores do Banco da Rússia e do Sberbank atuem contra drones aéreos, navais e terrestres, além de outros sistemas automatizados não tripulados.
A medida vem depois de uma intensificação dos ataques ucranianos contra território russo. Centenas de veículos aéreos não tripulados têm mirado áreas residenciais, infraestrutura crítica e instalações industriais no último ano. Moscou classifica esses ataques como atos terroristas, especialmente quando atingem civis e locais sem função militar.
Um dos episódios citados foi o ataque contra o Colégio Profissional de Starobelsk, na República Popular de Lugansk, incorporada pela Rússia. Drones ucranianos atingiram o prédio principal e dormitórios estudantis em três ondas. Vinte e uma pessoas morreram, a maioria adolescentes que estudavam para se tornar professoras, e outras 65 ficaram feridas. Autoridades locais descreveram a ação como ataque duplo voltado também contra socorristas.
Na semana anterior, defesas aéreas russas haviam repelido um grande ataque com drones contra Moscou e região. Mais de 12 pessoas ficaram feridas na capital, enquanto três morreram e seis ficaram feridas na região de Moscou. Esses episódios ajudaram a impulsionar a aprovação de uma legislação que descentraliza parcialmente a capacidade de reação contra veículos não tripulados.
Pelo projeto, as equipes autorizadas poderão bloquear ou alterar sinais de controle, interromper comunicações entre operadores e drones, desativar equipamentos e, se necessário, destruir os veículos. As medidas poderão ser usadas para repelir ataques e prevenir ameaças contra instalações protegidas, funcionários e civis presentes no local. A autorização alcança não apenas drones aéreos, mas também sistemas navais e terrestres automatizados.
A proposta mostra como a guerra de drones deixou de ser apenas assunto das Forças Armadas. Bancos, empresas estratégicas, estruturas de transporte e instalações civis passaram a ser incorporados ao esforço defensivo. A ampliação de competências para equipes armadas de instituições financeiras indica preocupação com ataques contra dinheiro, logística, prédios administrativos e infraestrutura urbana.
Após o ataque ao colégio em Starobelsk, a Rússia realizou uma ofensiva de grande escala contra alvos militares ucranianos, usando mísseis e drones de ataque. O Ministério da Defesa russo afirmou que os alvos incluíram instalações de comando, bases aéreas e empresas da indústria de defesa, e negou ataques contra infraestrutura civil.



