Nesta quarta-feira (27), militares israelenses emitiram ordens de deslocamento forçado para toda a população da cidade de Tiro, no sul do Líbano, e dos bairros vizinhos, bem como para os campos de refugiados palestinos, ordenando que os moradores fugissem imediatamente para o norte do rio Zahrani, as informações são do jornal The Cradle.
“Por questões de segurança, vocês devem evacuar suas casas imediatamente, conforme a área indicada no mapa, e se deslocarem para o norte do rio Zahrani”, disse o porta-voz árabe do exército israelense, Avichay Adraee, por meio das redes sociais. “Sua presença perto de elementos do Hezbollah, suas instalações ou seus meios de combate coloca suas vidas em risco. Qualquer edifício usado pelo Hezbollah para fins militares pode ser alvo de ataques”, acrescentou Adraee.
Tiro é uma das cidades continuamente habitadas mais antigas do mundo e Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1984, tem sido alvo de ataques contínuos de israelenses nos últimos anos. A ordem de evacuação de quarta-feira também incluiu as áreas de Chabriha, Hammadiyeh, Jal al-Bahr, Zoqoq al-Mafdi, El-Buss, Maachouq, Borj el-Chmali, Nabaa, Haoush, Rashidieh e Ain Baal.
Horas depois do comunicado das forças de ocupação, os bombardeios aéreos na cidade Tiro começaram. Os ataques israelenses também atingiram a cidade de Braiqaa, no sul, destruindo duas casas, informou a Agência Nacional de Notícias, assim como as cidades de Deir Qanoun en-Nahr, Srifa e Toura, enquanto milhões de pessoas celebravam o feriado muçulmano de Eid al-Adha.
Segundo o The Cradle, as ordens de evacuamento e os bombardeios seguem a expansão de uma operação terrestre israelense no sul do Líbano nesta semana para combater a ameaça representada pelos drones FPV de fibra óptica do Hezbollah, que mataram vários soldados israelenses nas últimas semanas, através da extensão da chamada “Linha Amarela”.
O exército israelense expandiu esta semana sua campanha de guerra e limpeza étnica dentro do Líbano, lançando cerca de 150 ataques nas cidades de Tiro (Sur) e Nabatieh, no sul do país, e no Vale do Bekaa, somente entre terça e quarta-feira. Também foram relatados ataques aéreos em Srifa, Deir Qanoun al-Nahr, Barish, Toura e Deir Amas, no sul do Líbano, e nas terras altas de Hermel e Boudai.
Por outro lado, confrontos diretos entre combatentes do Hezbollah e tropas de ocupação israelenses foram relatados na manhã de 27 de maio nos arredores de Zawtar al-Sharqiya, no sul do Líbano. Segundo um comunicado da resistência libanesa, os confrontos a “distância zero” ocorreram após “intenso fogo preparatório, incluindo ataques aéreos e bombardeios de artilharia” por parte do exército de ocupação.
Em resposta, o Hezbollah atacou as tropas israelenses com “foguetes, projéteis de artilharia e drones”, destruindo pelo menos um tanque Merkava. A resistência libanesa também divulgou, na quarta-feira, imagens de seu ataque mais recente com drones contra uma bateria do sistema de defesa antimíssil Domo de Ferro, informou o The Cradle.
O Ministério de Saúde libanês apresentou a informação de que os ataques israelenses de terça-feira mataram pelo menos 32 pessoas e feriram cerca de 40. A instituição libanesa destacou que 3.213 pessoas foram mortas e 9.737 ficaram feridas em ataques israelenses desde a escalada dos confrontos em 2 de março.





