O ex-presidente norte-americano Joe Biden entrou com uma ação contra o Departamento de Justiça dos Estados Unidos para tentar impedir a divulgação de entrevistas concedidas ao escritor contratado Mark Zwonitzer, responsável por trabalhar em seu livro de memórias de 2017.
Segundo o Daily Intelligencer, o material reúne 70 horas de gravações de áudio e transcrições de conversas entre Biden e Zwonitzer. As entrevistas foram posteriormente obtidas pelo promotor especial Robert Hur, nomeado para investigar se Biden manteve ilegalmente documentos sigilosos em sua casa após deixar a Vice-Presidência, cargo que ocupou entre 2009 e 2017, durante o governo Barack Obama.
A disputa pela divulgação do material começou em maio, quando a Heritage Foundation entrou com uma ação baseada na Lei de Liberdade de Informação dos Estados Unidos para obter acesso aos arquivos. Os advogados de Biden afirmam que a publicação das gravações violaria sua privacidade.
“Todo norte-americano, incluindo um vice-presidente em exercício ou ex-vice-presidente, tem direito à privacidade nas conversas pessoais que tem dentro de sua própria casa”, afirma a ação, segundo o Washington Post.
No relatório final divulgado em 2024, Hur concluiu que Biden “reteve e divulgou deliberadamente” materiais sigilosos, incluindo documentos relacionados à política militar dos Estados Unidos no Afeganistão. Apesar disso, o promotor especial não recomendou a apresentação de acusações criminais contra o então presidente.
Hur também afirmou que a memória de Biden aparecia “significativamente limitada” tanto nas entrevistas de 2017 com Zwonitzer quanto nos depoimentos posteriores ao promotor especial. Segundo Hur, em um julgamento, Biden tenderia a se apresentar ao júri como “um homem idoso, simpático, bem-intencionado e com memória fraca”.
As dúvidas sobre o estado de saúde de Biden tiveram peso na eleição presidencial de 2024. O então presidente retirou sua candidatura após um debate televisionado desastroso contra Donald Trump. A candidata escolhida pelo Partido Democrata para substituí-lo, Kamala Harris, acabou derrotada por Trump.




