Ernesto Jauretche morreu em La Plata, na Argentina, na sexta-feira (22), aos 86 anos. Escritor, jornalista, ex-funcionário do governo da Província de Buenos Aires e militante peronista, ele era sobrinho do ensaísta Arturo Jauretche e teve atuação ligada ao chamado “peronismo revolucionário”, à atividade sindical e à militância política argentina.
Nascido em 1940, Ernesto Jauretche se vinculou cedo ao peronismo. Atuou na União Operária Metalúrgica e depois integrou agrupações juvenis peronistas. Durante a década de 1970, fez parte dos Montoneros, organização marcada pela militância armada peronista naquele período. Com a ditadura militar argentina, viveu o exílio no México, como milhares de militantes perseguidos pelo regime.
Sua formação política foi marcada pela convivência com o tio Arturo Jauretche, referência do pensamento nacional argentino. Ernesto relatava em entrevistas que se definia como “peronista nascido peronista” e que ajudava o tio em tarefas ligadas à escrita e ao jornalismo. Essa proximidade deu a ele contato com uma política marcada pela defesa da soberania nacional, pela crítica à dependência externa e pela valorização dos trabalhadores.
Em La Plata, Ernesto continuou intervindo no debate político argentino. Também ocupou cargos no governo da Província de Buenos Aires. Nos últimos anos, publicou o livro autobiográfico Memoria de la Esperanza. Vida, pasión y muerte de un muchacho peronista, no qual revisitou sua experiência política e a história de sua geração. A obra registra a memória de militantes que passaram pelo peronismo, repressão, exílio e pelo fim da ditadura.
A despedida de seus restos foi marcada para o domingo (24), até as 13 horas, na Unidade Básica 17 de Octubre, localizada na rua 1, entre 40 e 41, em La Plata. A unidade básica é uma forma tradicional de organização territorial peronista e marcou a relação de sua vida com a política.


